10/11/2000 - 8:00
Os executivos e empresários que não vêem a menor graça em entrar numa loja e ficar horas escolhendo roupas ? com direito a várias entradas e saídas do provador ? já podem comemorar. Começou a era do delivery de luxo. As lojas que vendem produtos sofisticados descobriram que não basta oferecer um ambiente agradável, um bom cafezinho e manobrista na porta para facilitar a vida do cliente. Elas agora levam uma parte de suas mercadorias até o comprador. A última adepta dessa modalidade é a Daslu, um dos mais cobiçados templos do consumo de luxo. Desde o mês passado a loja paulistana está oferecendo em sua seção masculina um serviço chamado de Private: uma van carregada com roupas, sapatos, cintos e gravatas vai até a casa ou o escritório do cliente. Para não errar, são levadas roupas e sapatos com três numerações distintas. E não pense que o atendimento é diferente do que se tem na butique. Acompanhando as peças vão um motorista, um casal de vendedores e um alfaiate. Em menos de um mês já houve 20 desses atendimentos. ?Criamos o serviço pensando nas pessoas que não têm tempo de vir aqui, como empresários, políticos e altos executivos?, conta Oscar Azevedo Filho, gerente da Daslu Homem.
A onda das entregas de luxo permite que se compre praticamente qualquer coisa sofisticada sem sair de casa. De jóias a peças antigas, passando por quadros e esculturas. Em grandes importadoras de vinho como a Expand, a Maison Du Vin e a Mistral por exemplo, a venda é feita por catálogo. Outras butiques badaladas com Eclat e Ralph Lauren também dão um jeitinho de quebrar o galho dos seus clientes e levar roupas a domicílio. Na Versace, por exemplo, o serviço vai além. ?Já temos a medida da pessoa e conhecemos suas preferências?, conta a diretora da marca no Brasil, Fernanda Boghosian Rossi. Em algumas casos a grife manda uma vendedora e várias roupas para outro Estado só para atender alguém de fora de São Paulo. Além de não haver nenhum custo adicional, a loja se preocupa em fazer a entrega rapidamente. ?Normalmente quem pede esse serviço tem urgência, quer a roupa para o dia seguinte?, diz Fernanda.
Se levar um pedaço de uma loja de roupa até a casa de um cliente exige logística, imagine uma joalheria. A Cartier, por exemplo, aderiu ao sistema mas tem algumas limitações. ?É um serviço exclusivo e confidencial que oferecemos apenas aos nossos 10 melhores clientes?, explica Dimitri Gouten, diretor da Cartier no País. A restrição em transportar pela cidade jóias e relógios de alguns milhares de dólares é causada, evidentemente, por medida de segurança. ?Oferecemos esse serviço no mundo inteiro. Mas aqui tivemos que ter um pouco mais de cautela.? Já na joalheria Carla Amorim, o delivery é uma prática comum. Só em São Paulo são cerca de 20 visitas mensais. A única restrição é que o usuário do serviço seja conhecido ou indicado por alguém. ?Às vezes vai a loja inteira só para atender um cliente?, conta Kelly Amorim, sócia da joalheira. O local da venda também pode sair do convencional. ?Procuramos resolver o problema onde for preciso, na praia, no restaurante, numa sala de embarque?. Segundo Kelly, a venda fora da loja chega a ser até melhor e tem sucesso em 99% dos casos.
Além da falta de tempo, o delivery de luxo também pode resolver o problema de compras difíceis de transportar. É o que faz o escritório de arte de Ana Cláudia Roso. Depois de uma conversa pelo telefone para conhecer o gosto do cliente, a marchand vai ao ateliê de artistas, retira várias opções de quadros e esculturas e entrega a domicílio. ?A luz do meu escritório é diferente daquela da casa das pessoas?, explica. ?É importante colocar na parede e deixar por alguns dias para ver qual a melhor opção.? No antiquário Renée Behar, um dos mais exclusivos de São Paulo, o procedimento é parecido e vale tanto para um cinzeiro como para um armário. ?O pessoal quer experimentar tudo no local definitivo, para ver como vai ficar o tamanho e a proporção?, diz Renée. Como mordomia nunca é demais, o antiquário criou uma seção só de presentes. O empresário liga, diz para quem é o regalo e qual a faixa de preço pretendida. A antiquária faz a escolha, manda entregar o mimo na casa do presenteado e, para o cliente, envia a cobrança e uma foto Polaroid do que foi escolhido, para evitar o constrangimento da pessoa por não saber o que deu.