O MERCADO BRASILEIRO de alimentos é dominado por potências estrangeiras como Unilever e Nestlé. Nessa terra de gigantes, não é raro encontrar empresas nacionais bem posicionadas. Elas têm em comum o fato de concentrarem sua atuação em determinadas regiões, nas quais montam ?operações de guerrilha?. A mineira Vilma Alimentos, que fatura R$ 404 milhões com derivados de trigo, integra esse time. Mas na última semana ela deu um passo importante para mudar de status. A compra da Pirata Temperos, por um valor não divulgado, coloca a Vilma Alimentos em um nicho que movimenta R$ 600 milhões por ano. Apesar do nome peculiar, a Pirata é respeitada no setor. ?Tratase de uma grife forte e que ocupa a quarta colocação do ranking nacional?, diz Domingos Costa, presidente e principal acionista da Vilma Alimentos. Com a grife Pirata, o empresário pretende desenvolver uma linha de molhos, temperos e pratos prontos. São itens cujo consumo cresce fortemente, puxado pelo aumento do número de refeições fora de casa. A diversificação foi a forma encontrada para ganhar musculatura além das fronteiras mineiras.

Nas Alterosas, a Vilma domina os segmentos de mistura para bolo (com uma fatia de 85%) e macarrão (45%). Além disso, é vice-líder em refrescos em pó (20%). ?Minas Gerais responde por 75% dos negócios da empresa?, conta ele. Hoje, seus produtos podem ser encontrados em Goiás, Bahia, Espírito Santo e no interior do Rio de Janeiro. A expectativa é que a nova linha também ajude a ampliar a penetração em São Paulo, onde a presença da corporação mineira ainda é tímida.

Fundada em 1925, a Vilma deu uma guinada em 1998, com o lançamento da mistura para bolos em embalagem plástica. ?Conseguimos baixar os custos em 25% em relação aos demais concorrentes, que usavam caixas de papelão?, lembra ele. Desde então, o faturamento se multiplicou por três. O rápido crescimento também é fruto de uma política de reinvestimento dos lucros. Apenas no período 2006/2007 foram aplicados R$ 94 milhões. Outros R$ 45 milhões serão gastos nesse ano. Para controlar os custos na ponta do lápis, Costa optou por um modelo verticalizado. A Vilma é uma das poucas que processam a própria farinha.