O presidente argentino, Mauricio Macri, fez sua estreia nesta quinta-feira no Fórum de Davos com um encontro com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em que ambos concordaram em manter o diálogo para “abrir um novo capítulo” nas relações bilaterais.

Doze anos depois da última participação argentina em Davos, Macri teve uma significativa vitória, sobretudo porque ainda não pode ter acesso aos mercados da dívida, por causa do imbróglio com os investidores estrangeiros que seguem em disputa pelos bônus da dívida externa argentina.

Macri se reuniu também em Davos com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e ambos acordaram em manter o diálogo para “começar um novo capítulo” entre ambos os países.

Ponto de encontro financeiro mundial, em Davos podem ser concluídos acordos de investimento ou solucionar mal-entendidos em poucos minutos.

Seu ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, manteve um encontro com o secretário do Tesouro americano, Jack Lew.

Após a moratória de 2001, e depois que os fundos de investimentos americanos contestaram na justiça a solução oferecida por Buenos Aires e aceita pela maior parte dos credores, começou uma outra batalha nos tribunais americanos.

A Argentina optou por desobedecer as sentenças da justiça dos EUA e dos organismos de arbitragem como o Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas sobre Investimentos(CIADI), do Banco Mundial.

Após várias advertências, Washington anunciou em setembro de 2011 que instaurava essa política de oposição aos créditos, exceto aqueles dedicados a áreas muito específicas de luta contra a pobreza na Argentina.

Nos últimos cinco anos, portanto, a Argentina não teve apoio do BM e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a muitos projetos de infraestrutura ou similares.

“Tendo em vista o progresso do governo (argentino) em temas-chave e da trajetória positiva de sua política econômica, os Estados Unidos cessam sua política de oposição”, afirmou o comunicado do Tesouro americano.

A partir de agora, Washington, que é o principal acionista dessas instituições, “considerará cada projeto argentino segundo seus próprios méritos”, explicou o texto de Lew.

No plano diplomático, o caminho trilhado por Macri em Davos parece mais árduo.

“Quero que a gente dialogue sobre todos os temas que estão pendentes, incluindo as Malvinas, com nossas diferenças; nós vamos continuar reclamando, mas dialogaremos”, disse Macri a Cameron, segundo o comunicado de seu gabinete.

Cameron pareceu concordar, mas em relação às Malvinas disse: “nossa posição continua sendo a mesma e no recente referendo ficou absolutamente claro que os habitantes das ilhas querem continuar sendo britânicos”.

Os habitantes das Malvinas optaram em 2013 por permanecer sob bandeira britânica.

A Argentina invadiu o arquipélago em 1982, o que provocou uma curta guerra com o Reino Unido.

Macri e Cameron conversaram durante meia hora, os últimos cinco minutos a sós, detalhou o texto argentino.

“Uma delegação empresarial do Reino Unido visitará a Argentina no segundo semestre deste ano para analisar diversos temas de infraestrutura”, explicou Buenos Aires.

Cameron convidou Macri para viajar a Londres para assistir a um seminário sobre transparência na gestão administrativa e na luta contra a corrupção.

As medidas de liberalização econômica de Macri, que assumiu em dezembro, lembram em muitos aspectos a agenda do conservador Cameron.

O encontro foi o primeiro de caráter formal em anos entre u, líder argentino e outro britânico.

Cameron e a então presidente Cristina Kirchner se esbarraram brevemente durante a cúpula do G20 de 2012 no México. A presidente quis entregar-lhe um documento sobre as Malvinas, mas Cameron o rejeitou.

Os encontros em Davos, fórum do qual participam todos os anos 2.500 convidados, entre empresários, investidores e gurus financeiros, acostumados a se encontrar de modo informal e muitas vezes rápida. Macri não fugiu à regra, distribuindo acenos aos corredores e nas salas do Centro de Congressos e hotéis da cidade alpina, constatou a AFP.

O presidente da Coca-Cola, Muhtar Kent, lhe prometeu um investimento de 1 bilhão de dólares nos próximos quatro anos, informou a presidência argentina em Buenos Aires.

O caminho segue difícil, contudo, com o litígio com os investidores, que Macri garante que quer resolver, começando com uma nova rodada negociadora, prevista para a semana que vem.

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