03/10/2016 - 17:43
Potencializar o Mercosul para alcançar acordos comerciais com o mundo, flexibilizar as regras e apostar em políticas menos protecionistas, foram os objetivos traçados nesta segunda-feira pelos presidentes de Argentina e Brasil, duas grandes economias sul-americanas em dificuldade e cujos governos estão em plena sintonia política.
Os presidentes de Argentina, Mauricio Macri, e Brasil, Michel Temer, mostraram em Buenos Aires afinidade em matéria econômica, em relação à crise da Venezuela e ao apoio à Colômbia para que implemente o acordo de paz com as Farc rejeitado pela população no referendo do último domingo.
“Acreditamos em um mundo globalizado e cheio de desafios globais, motivo pelo qual estreitamos e potencializamos o Mercosul, para que encaremos a relação com o mundo”, expressou Macri.
Em meio ao protesto de aproximadamente vinte manifestantes que gritavam “Fora Temer”, o presidente brasileiro manifestou a necessidade de flexibilizar as regras do bloco.
“Para fortalecer o Mercosul como instituição sul-americana que tem interesse no mundo todo, as duas coisas principais são chegar a um acordo formal no Mercosul e flexibilizar um pouco as regras do Mercosul para dar certa autonomia para os Estados-membros”, disse Temer.
Ambos os presidentes, favoráveis ao livre-mercado, consideraram prioritário avançar em um acordo com a União Europeia.
“A União Europeia tem trocado ofertas com o Mercosul para começar um caminho que levará anos”, disse Macri.
“Percebemos que o mundo tem muito interesse no Mercosul. São muitos os países que nos pedem tratados de livre-comércio e mais intercâmbios”, afirmou Macri.
Após a assinatura de acordos entre chanceleres e um típico assado argentino na residência presidencial em Buenos Aires, Temer partirá para o Paraguai.
Temer disse que concorda “integralmente” com Macri e ressaltou que os dois países vivem os mesmo problemas: a pobreza e o desemprego”.
Brasil e Argentina, primeira e terceira economia da América Latina respetivamente, atravessam uma dura recessão. Por isso, os dois mandatários multiplicam esforços diplomáticos para captar investimentos estrangeiros, enquanto o emprego e a atividade econômica caem.
“Reduzir a pobreza de nossos países é algo que nos comprometemos como governos, e se consegue melhorando a educação e gerando emprego de qualidade”, disse Macri ao lado de Temer.
O Brasil é o principal destino das exportações argentinas e a Argentina é o terceiro parceiro comercial do Brasil, depois de China e Estados Unidos. O comércio bilateral totalizou 23 bilhões de dólares em 2015 e 14 bilhões nos primeiros oito meses de 2016, segundo dados do Itamaraty.
A consultora argentina ABECEB estima que 2016 terminará com um saldo deficitário para Buenos Aires de 4 bilhões de dólares, mas afirmou que o Brasil deixou de cair, disse Dante Sica, diretor da empresa.
“Hoje não se discute se vai crescer no que, mas, sim, quanto irá crescer. E se o Brasil cresce 1%, é uma excelente notícia para o setor industrial em geral”, destacou Sica.
Macri afirmou que a relação com o Brasil “está bem, tudo joia e tudo legal”, disse em português.
Temer e Macri foram perguntados sobre os temas que concentram as atenções na região: a rejeição em referendo ao acordo de paz na Colômbia e a severa crise atravessada pela Venezuela.
“Buscamos uma opção de paz na Colômbia. Os máximos esforços e desejos é que cheguem à paz. Isso é útil para a Colômbia e para todos os Estados da América do sul”, afirmou Temer.
Macri disse que a pouca diferença entre o “Não” e o “Sim” “mostra que há muita gente que acredita na via de um acordo e certamente muitos dos que votaram contra devem querer o mesmo, mas com outro tipo de acordo”. “Esperamos que as condições sejam geradas”, completou.
Sobre a Venezuela, também exibiram uma postura monolítica e lembraram do ultimato dado a Caracas para que “cumpra os requisitos” para que se integre plenamente ao bloco regional.
Temer garante que o objetivo não é tirar a Venezuela do Mercosul. Macri ressaltou que eles estão preocupados com a “violação aos direitos humanos” e com a não aceitação do referendo revogatório ao presidente Nicolás Maduro pedido pela oposição.
Após a visita à Argentina, Temer viajará a Assunção, onde se reunirá com o presidente Horácio Cartes, um dos maiores adversários de Maduro.