18/02/2026 - 7:30
A prioridade do ministério da Fazenda, hoje, deveria ser ‘devolver a sanidade ao orçamento público’. A avaliação é de Maílson da Nóbrega, fundador da Tendências Consultoria que ocupou a cadeira de ministro da Fazenda no fim da década de 1980, durante o governo Sarney.
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“Se eu fosse convidado para assumir o cargo de ministro da Fazenda novamente e tivesse que escolher uma prioridade, seria devolver a sanidade ao orçamento público brasileiro. Não é viável para o futuro de um país que 96% dos gastos primários do governo federal sejam de natureza obrigatória, restando apenas 3% para financiar setores fundamentais como ciência, tecnologia, cultura, funcionamento de áreas importantes do governo, especialmente na área de investimento”, diz.
Segundo o ex-ministro, é crucial ‘devolver a flexibilidade’ para o orçamento.
Desde a promulgação da Constituição, o Brasil optou por um modelo que, apesar de visar a redução de desigualdade, criou obrigações financeiras crescentes. Atualmente, os gastos obrigatórios – que incluem previdência social, salários de servidores e benefícios assistenciais como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) – já consomem a vasta maioria da arrecadação federal.
Nesse contexto, o Brasil pode viver um shutdown técnico do Estado, com o governo perdendo totalmente o poder de manejo sobre as chamadas despesas discricionárias.
Assim, em meados de 2027, as despesas obrigatórias representarão 100% do PIB.
As reformas estruturantes, desta forma, se fazem necessárias, na avaliação de Maílson.
“Se não fizermos as reformas e não houver indicação de que elas podem ser feitas, o efeito será provavelmente um colapso fiscal que redundará em incertezas, fuga de capital, aumento da taxa de juros, aumento dos custos das empresas, inflação e dólar mais alto. E tudo isso conspirará contra o futuro do país.”
‘O Brasil ainda pode ser um país rico?’
Maílson lançou no dia 10 de fevereiro seu novo livro intitulado ‘O Brasil ainda pode ser um país rico?: o desafio da produtividade’, obra na qual o economista remonta eventos históricos que moldaram a economia brasileira e detalhou o que considera fatores fundamentais para o Brasil se tornar um país próspero.
O economista defende que o Brasil pode caminhar para um ambiente de pujança no campo econômica, mas isso depende ‘de como os fatores que impedem o crescimento da economia e aqueles que impulsionam o crescimento da economia atuarem uns contra outros’.
“Se a prevalência for dos fatores que inibem o crescimento da economia, como a maneira como o juiz decide, as visões de mundo do PT, o fim do bônus demográfico e assim por diante, aí vai ser difícil. O Brasil não vai ser uma Venezuela, não vai ser uma Argentina dos tempos do peronismo, mas vai ser um país de grande limitação na sua capacidade de crescer”, comenta.
“Se por outro lado, prevalecer os os elementos positivos, como a força do agronegócio, a importância dos sistema financeiro, um Banco Central independente de grande credibilidade: todos esses fatores impulsionam a economia e eles podem se contrapor e gerar um efeito positivo, porque eles anulariam grande parte dos fatores que inibem o crescimento do país”, opina.
