08/02/2006 - 8:00
Foi maior do que o PIB de 125 dos 184 países listados
pelo Banco mundial. Daria para construir 36 fábricas de automóveis do mesmo porte daquela erguida pela
Renault no Paraná. Ou comprar a gigante japonesa Sony, inteirinha. Que tal montar ainda sete times só de Davids Beckham, do goleiro ao ponta esquerda? Deu para ter uma idéia do que significa ter US$ 36,1 bilhões no bolso. Pois é isso que a Exxon Mobil lucrou no exercício de 2005. Foi o maior resultado já registrado por uma empresa americana, segundo o The Wall Street Journal ? o que significa que muito provavelmente seja o maior lucro de todos os tempos da história corporativa. Nenhum segredo para a montanha de dinheiro: o preço do petróleo atingiu níveis inéditos. O barril chegou a ser cotado a US$ 70 e a Exxon, líder mundial, estourou a banca.
E por que as rivais não lucraram tanto quanto a Exxon? Simples: a gigante estava bem colocada no mercado, com contratos melhores do que seus concorrentes. A Conoco lucrou US$ 13 bilhões. A Chevron, US$ 14,1 bilhões. A Petrobras (que ainda não divulgou os números de 2005) deve embolsar US$ 10 bilhões. E a Shell lucrou US$ 23 bilhões para uma receita de US$ 379 bilhões. A Exxon faturou US$ 371 bilhões.
Enquanto a matriz pula de alegria, a filial da Exxon no Brasil, a Esso, encolhe, afetada, principalmente, pela concorrência desleal no setor de distribuição e o controle de preços do petróleo. A empresa que já foi referência no varejo de combustíveis chegou a ter mais de 4 mil postos com sua bandeira. Hoje conta com 1,9 mil postos. É a quarta do mercado, com participação de 8%, contra 15% dos bons tempos. ?A distribuição só dá prejuízo e no campo da exploração, ela tem uma participação tímida?, avalia Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura. ?Das sete rodadas de licitações que a Agência Nacional de Petróleo promoveu desde 1998, a Esso participou só de duas?. Procurados, os executivos da Esso não quiseram se manifestar.
Na semana passada, a empresa vendeu parte da BC 10, na Bacia Campos, para a Indian Oil & Natural Gas por US$ 1,4 bilhão. ?Ainda não foi encontrado nem um gota de óleo em seus blocos?, diz Pires. Hoje, a Esso tem 43 terminais de armazenamento de derivados de petróleo, uma fábrica de lubrificantes situada no Rio de Janeiro e outra de produtos químicos em Paulínia (SP), além de lojas de conveniência. A empresa, atualmente, vende seis bilhões de litros de derivados de petróleo por ano e fornece combustível de aviação para cinco aeroportos do País. ?Mas ainda é muito pouco para uma empresa como a Esso?, avalia o executivo de uma companhia rival.