É difícil separar a marca Mandic de seu dono, Aleksandar. Por esse motivo o empresário Aleksandar Mandic, 47 anos, resolveu deixar o iG para retomar a empresa que ajudou a criar a Internet no Brasil. Ele jura que o provedor gratuito vai muito bem, obrigado ? mas suas idéias demoravam para ser implementadas. Enfim, o empreendedor quer pilotar seu próprio projeto. No próximo mês, o provedor Mandic volta a operar. Quem conhece Mandic sabe que não poderia ser um provedor como os outros. ?Para se fazer um bom negócio é preciso ir na contramão?, repete várias vezes o empresário. Maior contramão, impossível: o empresário paulista sai de um provedor gratuito para criar um provedor de luxo, ?a Ferrari dos provedores?. O valor da mensalidade ainda não foi definido, mas será alto. Em contrapartida, Mandic promete um tratamento especial, quase personalizado. O número de usuários será restrito, como num clube. ?Para mim, 50 mil clientes está bom?, diz, não descartando a hipótese de aceitá-los somente sob indicação.

Estrutura enxuta. Arriscado? ?Sim, mas e daí??, responde o
técnico em eletrônica, que não cursou faculdade alguma. Mandic sabe que o negócio tem seus riscos, mas vai assumi-los sozinho.
Ele dispensa sócios: o patrimônio acumulado em 10 anos de
Internet, estimado em US$ 10 milhões, dá conta do novo projeto ? que Mandic não diz quanto vai custar: No dia em que anunciou
sua saída do iG, recebeu 12 telefonemas de antigos funcionários interessados em voltar para a Mandic. ?Um deles disse estar
disposto a trabalhar de graça para reerguer a empresa?, diz, orgulhoso. O provedor de luxo terá uma estrutura enxuta, com
10 funcionários. ?Como pessoa jurídica é preciso ser pão-duro?, justifica. Já a pessoa física não tem medo de gastar. Mandic tem três carros importados na garagem, incluindo um BMW. Grande
parte dos passeios pelo Brasil é feita em seu avião particular. No trabalho, dispensa trajes sociais. Certa vez, quando soube que receberia Luís Frias, do Grupo Folha/UOL, em seu escritório
para uma conversa pouco amistosa, fez questão de vestir
bermudão e tênis. Ele garante que não houve traumas em sua
saída do iG, tanto que o acordo permite que abra sua própria empresa, apesar de continuar como sócio no provedor gratuito. Mandic diz estar entrando numa nova fase. Não está mais trabalhando para vender a empresa no futuro: ?Chegou a hora de perpetuar a marca Mandic?.