Um grupo de 30 manifestantes iniciou uma vigília no vão livre do  MASP, na Avenida Paulista, nesta quarta-feira, 16, contra o que chamam  de “golpe petista” – em referência à nomeação do ex-presidente Luiz  Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil.

A  manifestação, que estava prevista para começar às 18h, foi antecipada  por um aposentado. Com um pedaço de papelão nas mãos, onde se lia “FUGIR  JUSTIÇA NÃO”, ele se colocava em frente dos carros e pedia buzinadas de  apoio. “Saí da zona norte, peguei metrô, e estou aqui fazendo a minha  parte. Lula não pode ser ministro. Isso é um golpe”, disse Lorival  Andrade, 57 anos.

Lorival conquistou muitas buzinadas de  apoio, mas reagiu mal à crítica de um outro aposentado que reclamou do  pouco talento do manifestante em produzir cartazes de impacto. “Com esse  papelão, essa letra verde pequenininha, não há Cristo que consiga ler.  Tem que se manifestar, mas com capricho”, argumentou Antônio Campos, 68  anos.

Às 18h, quando outros manifestantes chegaram, o  discurso era que o horário escolhido para a manifestação era propício  para “trabalhadores de verdade é que pagam seus impostos”. Assim, entre  outros imprevistos, a designer de joias Flávia Lecena confirmou que  precisou desmarcar a terapia para participar do evento (“o que era um  absurdo porque terapia é bastante caro”, disse ela).

Aos  gritos de Lula na cadeia, o grupo se mostrou dividido em relação à ideia  de permanecerem no MASP até Lula desistir do ministério. “Aqui é  perigoso, passou de certa hora fica cheio de maconheiro e black bloc”,  disse Carmen Lucci, 65 anos. Já o biomédico Lucas Egas, 33 anos, espera  revezar com outros amigos e passar o tempo que for necessário no vão  livre do MASP. “O problema é que os chamados coxinhas trabalham”, disse  irônico.

Os manifestantes empunham bandeiras do Brasil e  seguram cartazes com críticas a Lula assumir o cargo. As frases “Lula na  cadeia” e “Fora PT” são repetidas pelos participantes do protesto.

A manifestação não chegou a atrapalhar o trânsito. Os participantes só invadem a pista quando o semáfaro está fechado.

Segundo  a porta-voz do movimento Nas Ruas, Carmen Lutti, que é assistente  social e advogada, o ato foi organizado por um “grupo de cidadãos  indignados”. Ela disse que o movimento ainda não tem nome oficial e é  formado por amigos e integrantes do Nas Ruas.

A porta-voz afirmou que o buzinaço vai continuar até as 22h, quando o fluxo de veículos tiver reduzido.