Desde o tempo em que o bilionário armador grego Aristóteles Onassis animava os magnatas com as lendárias festas a bordo de luxuosas embarcações, os iates são um símbolo inquestionável de status e poder. Em busca desse glamour, cresce a cada ano o número de endinheirados que decidem desbravar o alto-mar ou um trecho de faixa costeira acomodados em barcos modernos, confortáveis e que podem chegar a valer até US$ 50 milhões. Hoje, os ventos da indústria náutica apontam para uma acelerada expansão. Em todo o mundo, os pedidos de embarcações com mais de 80 pés ? o equivalente a 26 metros ? cresceram 6% em 2003. Adquirir uma máquina desse porte, no entanto, não é tão simples como comprar um automóvel conversível. Com o avanço da tecnologia, novos e mais precisos equipamentos eletrônicos de navegação vieram se somar à decoração luxuosa entre os itens fundamentais de um iate. A indústria oferece diversos modelos e ilimitadas possibilidades de customização. Por isso, antes de fechar negócio, o comprador precisa conhecer as peculiaridades do setor para não transformar dólares em água.

Um dos fatores cruciais para quem planeja comprar um dessas embarcações é a saúde financeira do estaleiro. A credibilidade do fabricante é fundamental, já que o projeto de um barco pode levar
de seis meses a três anos para ser concluído. Muitas vezes, ele será quitado antes de ser entregue, o que aumenta o risco da venda. Em todo o mundo, havia, até muito recentemente, 40 fabricantes tradicionais de iates gigantes. Nos últimos três anos, cinco deles pediram concordata ou fecharam as portas. Para minimizar custos,
a saída encontrada pelas empresas foi a padronização dos moldes
dos veículos náuticos. Assim, fica a cargo do cliente incrementar a estrutura de acordo com as preferências depois da fabricação. ?É como comprar um imóvel e depois decorá-lo?, diz Lenílson Marcelo Bezerra, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Constru-
tores de Barco, a Acobar.

 

A indústria naval no País segue a tendência internacional, embora expresse números mais modestos que a média de outros países. Há 150 mil barcos registrados na Marinha brasileira. Nos Estados Unidos, a frota totaliza 7 milhões. A produção local, de 3 mil embarcações ao ano,
é restrita. Mas, desde o início dos anos 90 até meados de 2002, o setor brasileiro cresceu à taxa de 20% ao ano, o que representa, atualmente, um mercado de R$ 350 milhões. ?Com a estagnação da economia no ano passado, diminuiu a venda dos barcos de pequeno porte e apenas o segmento de luxo se manteve inalterado?, afirma Bezerra. Agora, à espera de que 2003 seja um ano melhor em vendas, os construtores apostam suas fichas nos lançamentos para o público de alta renda.

Na última grande feira náutica, a Rio Boat Show, realizada no Rio de Janeiro no final de abril, um dos destaques foi o modelo 740 Full da Intermarine, que atua no Brasil em parceria com o estaleiro europeu Azimut. Esta é a maior embarcação entre os iates de alta performance no País, com 23 metros de comprimento e capacidade para 20 pessoas. A suíte principal tem amplas janelas, uma em cada bordo, que possibilitam a vista do mar a 360 graus. A Intermarine não revela o preço, mas, no final do ano passado, o barco chegou a ser estimado em R$ 3 milhões. A cifra pode ser espantosa para o padrão nacional, mas ainda está longe do valor pago pelos sofisticados modelos estrangeiros. Neles, funcionam desde saunas e spas até minicampos de golfe. São mansões flutuantes.