25/11/2009 - 8:00

Na semana passada, a rede de lojas Marisa apresentou ao mercado um comunicado inesperado. Em poucas linhas, a rede informava a expectativa de abertura de 28 lojas em 2010. Desse total, seis pontos de venda teriam um “novo formato”.
Nenhuma informação adicional foi apresentada. Analistas do setor procuraram a companhia, que tem ações negociadas na bolsa de valores, para entender do que se tratava. “Eles não querem falar do assunto agora e preferem tratar a questão apenas internamente”, diz Renato Prado, da Fator Corretora. Diante do silêncio, apareceram rumores sobre a possibilidade de a rede abrir um novo grupo de lojas para classes de maior renda ou de, nesses novos locais, comercializar apenas lingerie, seu produto de maior demanda, e deixar de lado roupas e acessórios. Conforme apurou a DINHEIRO, as especulações não procedem. A Marisa pretende criar estabelecimentos menores, com espaço inferior à metragem média de suas lojas (que é de 1,2 mil metros quadrados), e vender produtos só para mulheres (no modelo atual, artigos masculinos também estão nas prateleiras). Além disso, os endereços terão layout mais moderno e a disposição dos produtos será menos confusa (essa é uma das principais reclamações de seus clientes). O plano completo será anunciado ao mercado em dezembro, em reunião com analistas. Procurada pela reportagem, a empresa disse que não iria comentar o assunto.
As novas lojas surgem com o objetivo de fazer a rede conquistar mercados em cidades onde não existem terrenos amplos e bem localizados disponíveis para compra ou aquisição – problema típico de grandes capitais. Criada pela família Goldfarb nos anos 40, a Marisa é ainda hoje uma empresa familiar avessa a grandes transformações. Atualmente, é a quarta maior rede do setor, com quase R$ 1 bilhão de faturamento entre janeiro e setembro de 2009. De uns tempos para cá, rivais como Renner e C&A também apostaram em modelos inéditos. A Renner criou marcas próprias de roupas e a C&A modificou a arquitetura das lojas. No caso da Marisa, trata-se também de uma tentativa de descobrir novas frentes de atuação. A operação varejista cresce pouco em termos de receita (menos 3% em 2009), mas esse desempenho tímido é compensado pelos produtos financeiros (como cartões de crédito e crédito), que tiveram alta de 27% nos primeiros nove meses de 2009.