O presidente americano, Barack Obama, encabeçou esta segunda-feira um minuto de silêncio em todo o país após o massacre no Arizona, que deixou seis mortos e 14 feridos, entre eles uma congressista americana, no mesmo dia em que o jovem acusado do ataque se apresentou à Justiça em Phoenix, capital do estado.

O jovem americano Jared Loughner, de 22 anos, acusado de ser o autor dos disparos, se apresentou à corte algemado e com a cabeça raspada, informou um repórter da AFP no local.

O atirador, que foi dominado por observadores após supostamente tentar assassinar a representante democrata Gabrielle Giffords, no sábado, restringiu-se a responder “sim” às perguntas do juiz.

O juiz federal concordou com a indicação de Judy Clarke, que representou o terrorista conhecido como “Unabomber” e Zacarias Moussaou, acusado de participação no 11 de setembro, como advogado de Loughner, e marcou uma apresentação preliminar para 24 de janeiro.

Mais cedo, falando sobre o massacre, Obama disse que nos Estados Unidos “evidentemente estamos muito tristes e comovidos com a tragédia” em Tucson.

Antes de receber seu colega francês, Nicolas Sarkozy, no Salão Oval da Casa Branca, Obama e a primeira-dama americana, Michelle, saíram pela ala sul, no final da manhã, e fizeram um minuto de silêncio no jardim da residência presidencial, com as cabeças baixas e os olhos fechados, enquanto um sino dobrava.

Na Casa Branca e no Capitólio, as bandeiras foram hasteadas a meio pau, assim como em todos os prédios públicos e delegações diplomáticas americanas no mundo, tal como Obama solicitou no domingo.

“Rezamos para que os espíritos desta nação sejam abençoados… Ajude-nos a sair deste lugar escuro para ir a um mais luminoso…”, orou nas escadarias do Capitólio o legislador democrata Emanuel Cleaver.

Ferida na cabeça, a congressista Giffords, 40 anos, permanece em coma induzido, mas os médicos estão otimistas.

“Neste momento não haver mudanças é bom”, disse hoje o neurocirurgião Michael Lemole, do hospital em Tucson. “Não temos mudanças: ela continua seguindo ordens básicas”.

O marido de Giffords, o astronauta da Nasa Mark Kelly, emitiu um comunicado para agradecer o apoio recebido após o ataque e reforçou o orgulho que a esposa sentia por servir ao estado do Arizona.

Do lado de fora do hospital de Tucson, várias pessoas deixaram velas, flores e notas, inclusive uma que dizia: “Lute, Gaby, lute!”.

Loughner fez 31 disparos quando Giffords se reunia no sábado com eleitores no estacionamento de um supermercado de Tucson. O atirador foi dominado enquanto tentava recarregar sua pistola Glock 9mm semi-automática, comprada em uma loja local.

Entre os mortos estão um juiz federal e uma menina nascida no trágico 11 de setembro de 2001, quando os Estados Unidos sofreram o maior atentado terrorista de sua história.

Os promotores disseram que Loughner foi acusado de cinco crimes, inclusive assassinato e tentativa de assassinato, mas “à medida que a investigação avança, é possível que se apresentem acusações adicionais”, disse à imprensa Robert Mueller, diretor da Agência Federal de Investigações (FBI) em Tucson.

A promotoria explicou que Loughner havia ido a um ato político similar de Giffords em 2007. Ao revisar um cofre na casa do acusado, que vivia com a família, os investigadores encontraram uma carta de Giffords agradecendo ao jovem pela presença naquele ato, afirmaram as autoridades.

No cofre foi encontrado, também, um envelope com frases manuscritas com frases como “Planejei de antemão”, “Meu assassinato” e “Giffords”, segundo as fontes.

Clarence Dupnik, xerife do condado, criticou o clima político no Arizona, que no ano passado saltou à cena internacional por uma dura lei contra a imigração, especialmente por parte do México, que fica a uma hora de Tucson.

“A retórica do ódio, da desconfiança ao governo, da paranoia sobre como opera o governo (…) impacta as pessoas”, disse Dupnik, membro do Partido Democrata de Obama.

Giffords, democrata de centro, é uma das principais defensoras da reforma migratória. Embora tenha se mostrado favorável a reforçar a segurança na fronteira, também tomou distância, em meados de 2010, da controversa lei que visava a criminalizar os imigrantes ilegais.

Ela se elegeu para um terceiro mandato em novembro, quando venceu o candidato Jesse Kelly, apoiado pelo movimento republicano ultraconservador Tea Party.

A ex-candidata republicana à vice-presidência, Sarah Palin, favorita do Tea Party, inseriu o nome de Giffords no que ela chamou de “lista negra”, devido ao apoio da congressista à reforma da saúde de Obama.

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