15/02/2006 - 8:00
Distante cerca de 30 minutos da sede do McDonald?s, em Chicago, Estados Unidos, um discreto prédio branco com portas de vidro espelhado em nada lembra os tons berrantes da cadeia americana de fast-food. Não há sinal dos famosos arcos dourados (como é conhecido o M do McDonald?s), e o recato se estende até mesmo aos caminhões que abastecem o local ? em cujas carrocerias é fácil notar a ausência de logotipos da empresa. O clima de top secret condiz com o lugar, uma espécie de laboratório de novas idéias. Batizado de centro de inovação, é de lá que saem produtos inéditos e soluções tecnológicas que, mais tarde, serão testados em alguns dos 30 mil restaurantes da rede, espalhados por 118 países. É o ponto de partida numa máquina que faturou, em 2005, US$ 20,5 bilhões.
A mais recente ? e talvez mais promissora ? invenção em teste nos Estados Unidos é a máquina de auto-atendimento. Em um quiosque eletrônico, os consumidores poderão escolher o sanduíche sem a necessidade de se recorrer a um atendente. Depois do pagamento, que pode ser feito no cartão ou até mesmo em dinheiro, o pedido é enviado automaticamente à cozinha, enquanto o cliente retira da máquina um recibo que servirá para receber o lanche no balcão. A maior parte das mudanças em curso, no entanto, está focada nos detalhes que envolvem o bom funcionamento da cozinha de um fast-food. É o caso, por exemplo, do chamado forno combo, que mistura aquecimentos a vapor e a gás, permitindo maior flexibilidade do cardápio. Nele, é possível até assar pizza (mas o item, por enquanto, não está nos planos da cadeia). O forno deverá chegar ainda este ano no Brasil.
Na cozinha inteligente do McDonald?s há também espaço para a automação. Estão sendo testados um robô que grelha carnes e um sistema rotativo para salgar as batatas fritas de forma uniforme, apertando-se só um botão. As modificações mais sensíveis aos olhos do consumidor, porém, estarão do lado de fora da cozinha. Poltronas de design arrojado, luz indireta e madeira na decoração pretendem transformar o típico restaurante de fast-food num ambiente mais aconchegante. ?Até 2010, todos os restaurantes brasileiros estarão reformados?, diz Jose Armario, presidente do McDonald’s para a América Latina.
Tão importante quanto as modificações no visual serão as constantes novidades prometidas para o menu. Um pão de hambúrguer à base de arroz saiu do forno do laboratório do McDonald?s para agradar em cheio o paladar dos taiwaneses. No Brasil, o Big Tasty lançado em setembro já é o segundo sanduíche mais vendido. ?O McDonald?s está se atualizando, e não se reinventando?, observa Alberto Serrentino, consultor da GS&MD. E para continuar crescendo, o desafio daqui para frente será o da criatividade. ?A rede deverá focar em ganho de produtividade, e isso só é possível investindo-se em inovação?, diz Fernando Garcia, da GV Consulting. É justamente o que se faz na McCaverna.