19/05/2004 - 7:00
Desde 1979, as placas vermelhas com o ?M? amarelo do McDonald?s brotam sem parar nas cidades brasileiras. O logotipo da maior rede de fast-food do mundo se tornou parte integrante da paisagem urbana no País. Agora, a fase de expansão acelerada parece ter chegado ao fim. A palavra de ordem no McDonald?s é trazer mais clientes para suas lojas e, uma vez dentro delas, fazê-
los consumir mais BigMacs, McFritas, entre outros. O principal chamariz será uma espécie de parque de diversões exclusivo do McDonald?s. Inédita no Brasil, a idéia nasceu no México e desembarcará por aqui no segundo semestre deste ano, mais precisamente em São Paulo. Batizado de McDonalândia, trata-se de um amplo espaço, com área entre 150 e 270 metros quadrados, sempre colado às lojas. Ali haverá uma série de atrações para crianças de até 12 anos. Um dos espaços abrigará uma espécie de parque temático, cujo enfoque pode variar de restaurante para restaurante. Se o ?tema? for florestas, por exemplo, o som ambiente será de animais. O parque também poderá abordar outros temas, como dinossauros, magia ou química. Em outro espaço, destinado a crianças de 4 a 8 anos, a abordagem será mais interativa. Elas poderão brincar, desenhar e ouvir histórias, sempre envolvendo Ronald McDonald, o personagem criado para representar a rede de fast-food. Para os ?marmanjos?, de 8 a 12 anos, a opção serão os jogos eletrônicos. Os adultos também não foram esquecidos e terão à sua disposição os ?cantinhos das mamães?. Ali as jovens senhoras podem se acomodar e saborear seus lanches sem perder os capetas de vista.
Ainda não está definido se as unidades brasileiras serão exatamente iguais às mexicanas. Nem mesmo se o nome McDonalândia será mantido. Mas que elas virão, virão. Cada uma delas consumirá investimentos de US$ 150 mil a US$ 350 mil. Será uma das primeiras ações públicas de Sergio Alonso, o argentino de 40 anos que assumiu o comando da subsidiária brasileira em dezembro do ano passado. Alonso, um administrador de empresas de 40 anos, construiu sua carreira no próprio McDonald?s e na subsidiária argentina da Renault. Aqui, encontrou a rede num momento delicado. Os atritos com um grupo de franqueados se acentuaram nos últimos anos, tornaram-se públicos e foram parar nos tribunais. Além disso, a atividade anêmica da economia brasileira transformou-se em um freio na história de expansão da companhia. Em 2004, Alonso prevê um crescimento de 3,5% nas vendas do McDonald?s, que no ano passado atingiram R$ 1,46 bilhão. É um índice modesto comparado à média histórica, mas significa uma recuperação em relação a 2003, quando o faturamento caiu no Brasil. ?Dependendo do segundo semestre, podemos crescer até mais do que nossa estimativa?, diz Alonso à DINHEIRO, em sua primeira entrevista desde que assumiu o comando no Brasil.
A chegada da McDonalândia pode ajudar nessa arrancada. ?Em alguns restaurantes do México, as vendas dobraram com o surgimento do parque?, diz Jose Armario, o chefão do McDonald?s para a América Latina. Lá em alguns meses pipocaram 12 unidades da McDonalândia. Armario, um cubano que vive nos Estados Unidos
desde a infância, também é novato no posto que ocupa. ?O Brasil representa 30% de nossos negócios na região latino-americana. Por isso, precisamos investir continuamente nessa operação?, afirma ele. Até o final de 2005, entre US$ 25 e 30 milhões serão desembolsados nos 1,3 mil pontos de venda no Brasil. ?Estamos em quase todos os Estados do País e nas principais cidades. Nosso desafio agora é aumentar as receitas dessa rede sem necessariamente ampliá-la?, diz Alonso.
Por isso, o McDonald?s investiu nos últimos anos na expansão da McInternet, pequenas estações com computadores no interior das lojas, e nos McCafés. Trata-se de uma mudança mais profunda do que parece. Essas ?atrações? seduzem um público diferente, mais adulto e disposto a gastar mais tempo (e mais dinheiro, esperam os executivos) no interior das lanchonetes. O McDonalândia reforça essa tendência. Antes de colocá-la nas ruas, Alonso mexeu silenciosamente na estrutura da empresa. Duas vice-presidências desapareceram. Ficaram apenas quatro. Uma diretoria, a de marketing, também foi eliminada. Talvez a mudança mais profunda tenha ocorrido na área de relacionamento com os restaurantes. Ela foi dividida em duas ? uma para atender as lojas próprias do McDonald?s, outra para cuidar das franqueadas. ?Com isso criamos um canal de comunicação específico com cada um desses públicos, que têm necessidades específicas?, diz Alonso.
O QUE É A MCDONALÂNDIA
Área total de cada parque:
150m2 a 270m2
Público alvo:
crianças até 12 anos
Investimento:
US$ 150 mil a US$ 350 mil
Aumento no número
de clientes (previsão):
20%
Atividades:
Playground, jogos interativos, games