08/09/2026 - 11:29
A farmacêutica AstraZeneca anunciou que seu medicamento experimental, o tozorakimab, reduziu significativamente as crises de agravamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) em testes clínicos. O tratamento, que combate uma condição pulmonar potencialmente fatal, demonstrou potencial para se tornar um “blockbuster” ao diminuir em cerca de 30% as pioras da doença que afeta milhões globalmente.
O que aconteceu
- O medicamento experimental tozorakimab, da AstraZeneca, mostrou-se eficaz na redução de crises da DPOC, diminuindo em cerca de 30% as pioras da doença.
- Os resultados dos estudos de fase avançada indicam que o tratamento funciona para uma gama mais ampla de pacientes, incluindo aqueles com baixos níveis de glóbulos brancos.
- A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) deve decidir sobre a aprovação do tozorakimab no início de 2027, com analistas projetando vendas anuais acima de US$ 5 bilhões.
Os resultados completos dos dois estudos de fase avançada revelaram que o tozorakimab ajudou a reduzir em aproximadamente 30% os episódios moderados e graves de piora da condição. Entre ex-fumantes, o efeito foi ainda mais notável, registrando uma redução de até 34% dessas crises em um dos ensaios.
O anúncio impactou positivamente as ações da AstraZeneca em Londres, que chegaram a subir até 0,5%, recuperando perdas registradas anteriormente. Apesar disso, o acumulado do ano para a empresa ainda aponta uma queda de cerca de 13%.
Como o tozorakimab se diferencia?
O desempenho do tozorakimab superou as expectativas de diversos analistas, validando seu potencial comercial. A farmacêutica britânica destacou que o medicamento beneficiou não apenas os cerca de 30% dos pacientes que já poderiam receber tratamentos existentes para DPOC, como o Dupixent, da Sanofi, e o Nucala, da GSK, mas também os 70% restantes que obtêm pouco ou nenhum proveito dessas terapias.
Medicamentos concorrentes se concentram em pacientes com níveis elevados de um tipo específico de glóbulo branco. A principal questão era se o tozorakimab seria igualmente eficaz em pessoas com baixos níveis dessas células. Nos estudos, esses pacientes apresentaram uma redução de 23% nas crises.
Em contrapartida, para aqueles com os níveis mais altos de glóbulos brancos, a AstraZeneca registrou uma impressionante redução de 43%, superando os resultados observados com Nucala e Dupixent. “Não usamos essas palavras de forma leviana, mas acredito que esse conjunto de dados representa uma verdadeira inovação para pacientes e médicos que tratam DPOC”, afirmou Ruud Dobber, chefe da divisão de biofármacos da AstraZeneca.
O tozorakimab atua bloqueando a interleucina-33 (IL-33), uma proteína do sistema imunológico que desencadeia processos inflamatórios. Outros medicamentos experimentais com o mesmo mecanismo de ação, desenvolvidos por Sanofi e Roche, tiveram resultados menos promissores.
Qual o potencial de mercado do novo tratamento?
A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) deve tomar uma decisão sobre a aprovação do tozorakimab no início de 2027. A companhia reportou que o medicamento foi geralmente bem tolerado pelos pacientes, com o principal efeito adverso sendo apenas reações no local da aplicação.
Os resultados detalhados dos estudos foram publicados no prestigiado New England Journal of Medicine e apresentados nesta terça-feira no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia. Antes da divulgação, o analista Michael Leuchten, da Jefferies, projetava que o tozorakimab poderia gerar mais de US$ 5 bilhões em vendas anuais, caso sua eficácia fosse comprovada também para outras doenças, como a asma. A expectativa é que ele se torne um dos pilares da receita da AstraZeneca nos próximos anos.
O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)?
A DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica, afeta predominantemente adultos mais velhos que fumam ou têm histórico de tabagismo, mas também pode incidir sobre indivíduos que nunca tiveram contato com o tabaco. Os sintomas característicos incluem tosse persistente, infecções respiratórias frequentes e falta de ar. A condição não possui cura definitiva, contudo, os tratamentos disponíveis podem retardar sua progressão e aliviar os sintomas.
Perspectivas futuras para o medicamento
A farmacêutica está avaliando a realização de novos estudos para investigar se o tozorakimab pode ser benéfico para pacientes com outras condições associadas à IL-33, como a bronquiectasia, que se caracteriza por danos permanentes às vias aéreas pulmonares.
A AstraZeneca também considera a possibilidade de combinar o tozorakimab com outros medicamentos de seu portfólio. Ruud Dobber, entretanto, pondera que “ainda é um pouco cedo para especular sobre isso”, indicando que o foco atual é a aprovação e lançamento inicial.
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