Centenas de médicos e estudantes de Medicina protestaram nesta segunda-feira, em Caracas, contra a falta de recursos dos hospitais, enquanto chavistas marchavam em apoio ao sistema público de saúde, em mais um episódio da onda de protestos que sacode a Venezuela. Usando jalecos e levando uma grande bandeira do país, médicos e estudantes de Medicina de todas as idades se concentraram na Praça Venezuela. O destino era a sede da vice-presidência, no centro da cidade (reduto chavista), mas uma barreira policial impediu o avanço do grupo, sob a justificativa de que a passeata não tinha autorização. Os médicos carregavam cartazes com inscrições como “Não são só as balas que matam, a falta de remédios também”. A polícia de choque agiu para impedir o progresso da passeata e ocorreram alguns incidentes, de menor importância, antes que a vice-ministra dos Hospitais, Juana Contreras, fosse a Praça Venezuela para escutar as queixas dos médicos. De acordo com o presidente da Federação Médica Venezuelana, Douglas León, cerca de 95% dos hospitais do país têm apenas 5% do necessário para atender aos pacientes. “O governo não equipou os hospitais, nem cumpriu a Constituição”, criticou. “O que importa é resolver os problemas dos venezuelanos e a crise da saúde, pela qual estamos passando. Queremos protestar, mas também queremos paz”, disse à AFP Geovanny Provenza, um jovem médico que trabalha em um hospital público. Preocupada com seu futuro, a estudante de Medicina Caterine Acosta, de 20 anos, considera que “os hospitais estão se deteriorando, não se encontra os materiais, e temos de falar para os pacientes comprarem aquilo de que precisam”. A poucas quadras, centenas de “trabalhadores e comitês de saúde” chavistas avançaram, sem problemas, pelo centro da capital. Eles foram recebidos no Palácio Miraflores pelo presidente Nicolás Maduro para comemorar o Dia do Médico e pela formatura de aproximadamente 2.500 jovens – uma parceria com o governo cubano. Maduro desafiou a “direita amarga” a dizer que na Venezuela “não há saúde para o povo”, mas admitiu que “há problemas” no sistema e anunciou a liberação de 249 milhões de dólares para reparos em 24 hospitais e a construção de centros de atenção médica básica. “Vamos recuperar todos os hospitais e vamos colocá-los no mais alto nível”, afirmou o presidente, recordando que desde 2003 o governo chavista tem levado a assistência médica aos setores mais pobres do país, com o programa Bairro Adentro, desenvolvido com apoio de Cuba. Mais cedo no Twitter, Maduro afirmou: “2.500 médic@s que se graduam graças à educação que garantimos à juventude para se formar e servir à Pátria com uma nova ética”. Nesta segunda-feira também aconteceram protestos de médicos em várias cidades do país, somando-se à onda de manifestações contra o governo que acontece na Venezuela, há um mês, contra a inflação, a escassez de produtos básicos e a violência. Ao menos 20 pessoas foram mortas, e 300 ficaram feridas nos protestos. A reação do governo motivou uma série de denúncias de violações de direitos humanos. pc-val/jm/du/tt/lr