03/12/2010 - 7:47
Os documentos confidenciais de embaixadas americanas em todo o mundo, revelados pelo site WikiLeaks, mostram o “cinismo” da política externa dos Estados Unidos, criticou o presidente russo, Dmitri Medvedev, nesta sexta-feira.
“Não somos paranóicos. Não atrelamos as relações Rússia-EUA a nenhum vazamento (de informações)”, disse Medvedev, durante uma coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que faz uma visita a Moscou.
“Ao mesmo tempo, elas são esclarecedoras”, acrescentou.
“Elas mostram a extensão do cinismo dessas avaliações, desses julgamentos, que prevalecem sobre vários aspectos da política externa do governo – e, neste caso, estou falando dos Estados Unidos”, afirmou o presidente russo.
Algumas das mensagens publicadas na WikiLeaks descrevem Medvedev como um líder fraco que nunca assumiu totalmente o poder, e afirmam que o país é controlado de fato pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.
Em um dos documentos, um funcionário americano chega a comparar Putin e Medvedev a Batman e Robin, indicando que o presidente russo é indeciso fraco.
Logo após a publicação, em meio ao enorme constrangimento dos diplomatas americanos, Medvedev disse que compreendia que esse tipo de coisa é dita em particular, e que os diplomatas russos também são pouco condescendentes em suas mensagens privadas.
“Deus me livre de haver um vazamento das coisas que nosso ministro das Relações Exteriores ou nosso serviço de Inteligência Externa dizem”, brincou o presidente russo.
Os documentos americanos também são bastante críticos em relação a Berlusconi e à amizade pessoal que mantém com Putin, “seu companheiro magnata”.
O premier italiano fez poucos comentários públicos sobre o escândalo do WikiLeaks. Nesta sexta-feira, estimou que as mensagens reveladas no site não são profissionais e foram escritas por pessoas que têm pouca compreensão da política local.
“Eles pegam a primeira coisa que veem na primeira página do jornal e transformam isso em um telegrama diplomático que parece super-importante”, criticou Berlusconi.
“Não deveríamos atribuir muita importância a essas coisas, mas elas de fato irritam”, acrescentou.
Os documentos vazados incluem uma série de perguntas da secretária de Estado americana Hillary Clinton intituladas “Solicitação de informações sobre as relações Itália-Rússia”.
Hillary queria saber detalhes sobre a base da amizade entre Putin e Berlusconi, e se o governo italiano havia “tomado decisões para beneficiar negócios italianos ou interesses comerciais devido a uma preocupação política com a política energética”.
zak/ap