05/05/2014 - 11:00
Há 18 anos, o argentino Eduardo Costantini é um nome bem conhecido dos brasileiros. O megainvestidor e fundador do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires comprou a obra “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, por US$ 1,3 milhão, em 1995. Até então, o quadro era do colecionador paulista Raul Forbes. De lá pra cá, foram várias as propostas para que a retornasse ao Brasil, mas sem sucesso, já que Costantini não pretende se desfazer.
Mas não é só no campo das artes que ele é conhecido do brasileiro, dono da empresa Consultatio, Costantini tem aumentado seus investimentos em imóveis. Com a economia da Argentina em dificuldades, ele decidiu diversificar e, desde 2012, já investiu R$ 300 milhões em Miami. Agora, busca um novo terreno na cidade para aportar mais R$ 300 milhões. Dinheiro que poderia ter vindo ao Brasil já que o investidor até tentou comprar terrenos em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas desistiu pelos altos preços. “O Brasil está tão caro quanto Londres e Nova York.”
Para 2015, quando fará novos investimentos no exterior, o empresário não descarta voltar a sondar ao Brasil, mas desde que encontre a possibilidade de ter boas margens e preços interessantes. Em entrevista à DINHEIRO, ele conta por que desistiu do Brasil e o que tem feito aumentar seus investimentos nos Estados Unidos.
DINHEIRO – Por que o senhor decidiu investir em Miami?
Costantini – É a quarta principal cidade ocidental promissora em termos de negócios depois de Londres, Nova York e Genebra. É visto como um grande centro escolhido por grandes setores econômicos, aquilo que chamamos de “Cities of the World”. São lugares que atraem pessoas visionárias e dispostas a investir. E é lá onde está um público interessante para os negócios. Até o ano de 2023, Miami estará entre as seis principais cidades do mundo para investimentos mundiais, junto com Nova York, Londres, Hong Kong e Beijing. Miami está literalmente se transformando em uma potência.
Qual o cenário econômico para fazer negócios lá?
Supostamente existe segurança jurídica e segurança de uma forma em geral. Além disso, o mercado é aberto, não impõem barreiras e nenhum tipo de discriminação para quem quer investir seja por país de origem ou por setor. É um ambiente de negócios muito amigável e promissor. Prova disso é que, não nos associamos a nenhuma outra grande empresa e mesmo assim estamos conseguindo ter bons resultados e ter um dos terrenos mais bem avaliados de toda a Flórida.
Pela chegada de tantos investimentos, o mercado local não está saturado?
Sem dúvida. Está cada vez mais difícil encontrar um bom local para investir. A economia local já está em processo de recuperação e já existem muitos projetos acontecendo na cidade. Mas é uma questão de buscar, sempre terão bons negócios em Miami.
O Brasil também não é uma boa opção?
Quando eu quis diversificar meus investimentos imobiliários, pensei primeiramente em cidades como São Paulo e Rio. Chegamos a fazer duas ofertas no Brasil, mas não entramos no país por um problema de preço. Além disso, as margens estão muito baixas para desenvolver negócios no Brasil. Vários argumentos nos levaram a Miami e todos os projetos lá são espetaculares. Mesmo tendo deixado de investir no Brasil, não quero dizer que o país não seja um objetivo nosso, estamos em busca de localizações excepcionais. Para 2015, estamos avaliando um novo destino para investimentos.
O senhor está investindo no exterior tentando fugir da atual situação da Argentina?
Os negócios na Argentina, de fato, não estão tão bem como deveriam, porém, já conseguimos perceber uma retomada. E falando do mercado imobiliário, meu país vive um momento de preços baixos devido à desaceleração econômica. Mas existe a perspectiva de uma mudança favorável, existem investimentos que estão sendo feitos e os bônus do governo estão subindo. O valor da Bolsa também está subindo e as expectativas estão melhorando. Claro que, o país ainda precisa de ajustes no sistema macroeconômico, mas a perspectiva é boa em longo prazo.
Qual o potencial do público brasileiro em Miami para a compra de imóveis?
Os brasileiros estão entre os que mais estão investindo em imóveis em Miami. Mas o momento é interessante para outras nacionalidades também. Lá existem muitos canadenses, europeus, russos e latinos. Temos um projeto globalizado e pretendemos fazer parte de uma cidade que tem essa capacidade de ser um pólo global.
