A 3Com é uma empresa diferente. Não há um escritório central. Seus principais executivos estão espalhados por vários países do mundo. De Glasgow, na Escócia, passando por Londres até Santa Clara, na ensolarada Califórnia, nos Estados Unidos. Agora, a 3Com, que fabrica equipamentos para redes de computadores, quer se diferenciar ainda mais dos seus concorrentes. A intenção é fechar o ano com um lucro em um mercado onde a maioria das empresas estão com problemas de caixa e lutando para evitar perdas. ?Temos US$ 1 bilhão em caixa para investir no mundo?, afirma o presidente da companhia no Brasil, Humberto Menezes. Pode parecer estranho, mas no caso da 3Com, o prejuízo nos primeiros seis meses do ano, de US$ 24 milhões, foi suficiente para tranqüilizar os investidores, que esperavam perdas bem maiores. A boa notícia é que a empresa acredita que no atual ritmo fechará o ano com um pequeno lucro. ?Antes tínhamos uma preocupação muito grande com o faturamento, mas descobrimos que o lucro está acima de qualquer questão?, diz Menezes.

O que aconteceu na 3Com foi uma completa mudança de foco. Um giro de 180 graus. Criada em 1979 para atender as demandas do nascente mercado de tecnologia para empresas, a companhia acreditou que na era da internet, o consumidor final seria o alvo ideal para viabilizar qualquer negócio. No final de 1999, com um caixa de US$ 5 bilhões, a companhia foi às compras e voltou dela com uma cesta cheia de empresas cujo foco eram produtos de varejo. Duas delas foram a fabricante de computadores de mão Palm e a US Robotics, que produz os modems para acesso doméstico à internet, que acabaram ganhando vôo próprio. Com essas aquisições e uma estratégia de atender todas as demandas do varejo, a 3Com torrou muito dinheiro. Foi então que o alerta foi ligado. O mesmo executivo que traçou essa estratégia, o presidente mundial da companhia, Bruce Claflin, decidiu fazer o caminho de volta. ?O bom de errar é saber como corrigir?, justifica Menezes.

Não é um movimento fácil. A 3Com precisou rever suas estratégias de marketing, se livrou de linhas de produção pouco lucrativas e reduziu em mais da metade o número dos seus funcionários. Agora são 5 mil empregados em todo o mundo, mas outros estão sendo contratados. ?O único problema de uma volta dessa magnitude é que se a companhia não for cuidadosa pode se perder no caminho?, afirma Souvenir Zalla, da consultoria Edge Group. Na avaliação da 3Com, é no mercado corporativo que está o dinheiro e os compradores com potencial de trazer o lucro novamente para a companhia. Hoje, a 3Com está presente em 80% das 1 mil maiores companhias brasileiras. A intenção de Humberto Menezes é aumentar a quantidade de negócios que a empresa faz com esses parceiros. Outro caminho é apostar em áreas novas com grande potencial, como a tecnologia da telefonia pela internet.