O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 3, que a equipe econômica ainda irá calcular o impacto das últimas concessões feitas pelo deputado Arthur de Oliveira Maia (PPS-BA) no relatório da reforma da Previdência com relação à economia projetada para os próximos anos. Ele lembrou que, até agora, as mudanças no projeto feitas na Câmara dos Deputados já reduziram em 24% o efeito fiscal da reforma em um período de 10 anos.

“Essa economia de 76% que restou do projeto original ainda está dentro do que prevíamos, dentro de um processo normal de negociação com o Congresso, que acreditamos que está indo bem. O importante é que o ajuste fiscal seja substancial e a nossa equipe está calculando os efeitos dessas novas concessões”, disse o ministro ao deixar o evento sobre liberdade de imprensa, na sede da OAB no Distrito Federal. Segundo ele, a expectativa é de que os efeitos se mantenham dentro dessa margem de 30% dos impactos da proposta original.

Meirelles repetiu esperar que a votação da reforma ocorra no plenário da Câmara ainda em maio, mas disse que um eventual atraso de algumas semanas na votação não prejudica a medida formulada para ter efeito durante décadas. “Mas, quanto mais cedo se votar, melhor pela influência sobre as expectativas dos agentes financeiros e pensando na recuperação da economia.”

Após dizer em apresentação que a economia brasileira já cresceu no primeiro trimestre de 2017, Meirelles adiantou que esse ritmo de alta foi de 3% anualizado nos três primeiros meses do ano. Questionado se a equipe econômica já estuda alterar a projeção de alta do PIB este ano – que atualmente está em 0,5% – o ministro disse que é preciso esperar evidências mais sólidas de uma expansão maior da atividade para se fazer uma nova estimativa, mas confirmou que o viés da atual projeção é de alta.

Ele lembrou que, no último trimestre deste ano, a projeção da Fazenda é de um crescimento de 2,7% ante o último trimestre de 2016. “A projeção de 0,5% no ano é a média anual. Mas na ponta já estaremos crescendo a 2,7%. Isso que é importante. Temos um crescimento de 3% no primeiro trimestre, esperamos uma acomodação no segundo trimestre e chegaremos a esse crescimento no fim do ano”, disse.

Eleição

Ao final da entrevista, Meirelles foi questionado se a recuperação da economia este ano o alçaria à condição de presidenciável nas eleições de 2018. “No momento, estou focado na economia”, limitou-se a responder.