O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconheceu nesta  segunda-feira, 1º de fevereiro, o risco fiscal para as finanças dos  Estados e Municípios provocado pelo reajuste do piso salarial dos  professores, mas afirmou que o governo federal seguiu a lei em vigor ao  definir o reajuste de 11,36%. Em entrevista exclusiva ao Broadcast  (serviço de notícias em tempo real da Agência Estdao), ele defendeu a  revisão da lei 11.738, que regulamenta o piso salarial dos professores.

“O  MEC reconhece que há um grave problema fiscal e que temos que  rediscutir o piso. Temos um problema relevante, mas não se pode dizer  que é o MEC que decide o piso. É a lei”, rebateu Mercadante.

Segundo  o ministro, foi a lei que definiu a regra e “estava todo mundo  informado disso há muito tempo”. Reportagem do Broadcast mostrou que o  anúncio reajuste de 11,36% no piso salarial dos professores, calculado  pelo governo, caiu como uma bomba para os Estados, que enfrentam grande  dificuldade financeira e estão atrasando o pagamento de salário dos  servidores públicos.

Os governadores pediram à presidente  Dilma Rousseff que adiasse o reajuste para o segundo semestre para dar  fôlego nesse momento mais agudo da crise financeira, o que não ocorreu.

“A  única coisa que o MEC faz é apresentar o senso das matrículas. Quem  calcula a variação do piso é o Ministério da Fazenda”, afirmou o  ministro. Mercadante disse que parecer jurídico mostrou que a lei não  pode retroagir e as mudanças teriam que ser feitas em 2015.

O  ministro enfatizou que o artigo 5º da lei 11.738 determina o reajuste  em janeiro e que acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou a  interpretação em torno do piso. “O Ministério da Fazenda tem papel  passivo, de respeito à legislação em vigor”, disse.

Segundo  ele, a Confederação Nacional dos Municípios pediu à Fazenda, em  dezembro do ano passado, um novo cálculo, mas o Ministério respondeu que  há uma decisão da Justiça.

Mercadante informou que o Plano  Nacional de Educação estabeleceu uma mesa de diálogo para discutir o  piso e a carreira do docente, mas ainda não há acordo até o momento.  ”Até junho, a mesa deverá discutir o piso”, previu. Os secretários de  educação dos Estados e municípios participam das negociações.

O  ministro ressaltou que a proposta dos governadores no ano passado era  concluir no Senado Federal a votação de um projeto já aprovado na Câmara  dos Deputados, que vincula a correção do piso ao INPC (índice que  fechou em 11,28% em 2015). “Mesmo que houvesse a alteração na Lei, como a  inflação foi alta, o reajuste ficaria muito próximo ao 11,36%  concedidos. Não teria resolvido o problema fiscal dos Estados”,  ponderou.

Mercadante disse que a Confederação Nacional dos  Trabalhadores em Educação (CNTE) aceita discutir uma proposta , mas a  entidade quer a garantia de que haverá aumento real dos salários.

O  ministro disse que os Estados e municípios podem negociar com o  sindicatos um reajuste menor. No Distrito Federal, disse ele, foram  postergadas decisões de acordo trabalhista com a categoria.

“A  única coisa que não podemos ter são greves prolongadas em que os alunos  são prejudicados”, disse. Para ele, a mesa de negociação preciso ter  uma “compreensão” em relação às dificuldades financeiras dos prefeitos e  governadores. “É preciso abrir as contas e mostrar a situação fiscal.  Esse é único caminho”, recomendou.