O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, 14, após duas quedas seguidas, trabalhando ao redor dos 163 mil pontos, em movimento puxado principalmente por blue chips, enquanto estrategistas continuam com visão positiva para Brasil.  Já o dólar oscila próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior cede ante outras divisas, com os investidores à espera de dados econômicos nos Estados Unidos e monitorando os atritos geopolíticos mais recentes.

Por volta de 14h09, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,14%, a 163.827,15 pontos, após somar uma perda de 0,86% nos dois pregões anteriores. Já o dólar avança 0,12%, com preço de R$ 5,381 na venda.

Olhos otimistas para o Ibovespa

Estrategistas do BTG Pactual reiteraram a classificação “overweight” para as ações brasileiras em seu portfólio LineUp para a América Latina.

“Em nossa visão, à medida que os investidores ganham maior confiança de que o ciclo de afrouxamento monetário está prestes a começar no Brasil, eles devem continuar a aumentar a exposição às ações locais’, afirmaram em relatório a clientes.

Em paralelo, estrategistas do Itaú BBA também afirmaram que seguem “overweight” em Brasil, com uma visão moderadamente positiva para o ano, estabelecendo um preço-alvo para o Ibovespa de 185.000 pontos para o fim de 2026.

Entre os argumentos, Daniel Gewehr e equipe citaram cenário global favorável, com ciclo de cortes do Federal Reserve, fluxos para emergentes e afrouxamento monetário no Brasil à frente, com potencial mudança na perspectiva macro/fiscal.

O viés positivo no pregão brasileiro destoava da performance dos futuros acionários em Wall Street, onde dados econômicos e resultados de bancos como Citi e Bank of America também ocupam as atenções de investidores.

Tensões no exterior

O cenário geopolítico segue como um dos focos de atenção dos investidores, em meio ao interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia e às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Irã.

Além disso, uma série de autoridades do Federal Reserve falará ao longo desta quarta-feira, poucos dias após o governo Trump ameaçar o chair da instituição, Jerome Powell, com um processo criminal.

O mercado monitora ainda possível decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas comerciais aplicadas por Trump em produtos importados.

Neste cenário, o dólar cedia no exterior ante a maior parte das demais divisas — em especial o iene, que ganhou força após autoridades japonesas elevarem a ameaça verbal de intervenções ao dizerem que não descartam nenhuma opção para combater a volatilidade cambial.

Outras notícias no radar

A Polícia Federal deu continuidade às investigações que envolvem o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Enquanto o cerco jurídico se fecha, o mercado financeiro monitora o processo de liquidação da instituição e os próximos passos para o pagamento dos credores via FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

No campo econômico, o IBGE revelou que a indústria brasileira operou de lado em novembro de 2025. O índice de produção nacional não registrou crescimento em relação a outubro, embora o desempenho regional tenha sido misto: mais da metade dos locais pesquisados (8 de 15) fecharam o mês no azul. Contudo, o cenário anual é de cautela, com uma retração de 1,2% frente a novembro de 2024.