O mercado passou a projetar que a taxa básica de juros Selic fechará em 12,13% ao final deste ano, ante expectativa de 12% na semana anterior, mostrou a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, 9. Para o fim de 2027, permanece a previsão de taxa a 10,5% ao ano.

A revisão ocorre em meio à disparada do preço do petróleo e o agravamento da guerra no Oriente Médio.

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A pesquisa semanal com uma centena de economistas, que é fechada sempre às sextas-feiras, mostra, porém, que permanece a previsão de que a Selic será reduzida dos atuais 15% para 14,5% na reunião de 17 e 18 de março do Comitê de Política Monetária (Copom), e de novo corte de 0,50 ponto percentual na reunião de abril.

Projeções atualizadas do Boletim Focus (Crédito:Reprodução/Instagram)

Inflação

Para o IPCA, a projeção segue estimada em 3,91% ao final de 2026, mas subiu 0,01 ponto percentual para 2027, a 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O BC prevê que o IPCA vai encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027.

PIB e dólar

Para o Produto Interno Bruto (PIB), não houve alterações nas estimativas de crescimento de 1,82% e 1,80%, respectivamente, em 2026 e 2027. Em 2025, a economia brasileira desacelerou e teve avanço de 2,3% como mostrou na semana passada o IBGE.

Para a cotação do dólar, a projeção do Focus foi revisada para R$ 5,41 ao fim de 2026, ante R$ 5,42 na semana anterior, e de R$ 5,50 para o fim de 2027.

Juros futuros disparam

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas fortes nesta manhã de segunda-feira. Às 9h38, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,395%, em alta de 23 pontos-base ante 13,17% do ajuste da véspera. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,04%, com elevação de 18 pontos-base ante 13,856%.

Os juros futuros são castigados pela aversão ao risco e pelas preocupações de que o petróleo pode gerar inflação, o que exigiria um Banco Central mais comedido em seu ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 15%. Ao longo de toda a curva a termo, as taxas dos DIs exibem ganhos próximos de 20 pontos-base nesta manhã.