Mercados globais navegam em cenário misto nesta quarta-feira, com a pressão sobre os títulos públicos se intensificando devido à deterioração das contas fiscais e à inflação elevada, impulsionada pelos custos da energia. Em contraste, as bolsas de valores encontram suporte em balanços corporativos robustos, na força da economia global e no entusiasmo com a inteligência artificial.

O que aconteceu

  • Rendimentos dos títulos públicos de referência de 10 anos nos EUA se aproximam do maior nível desde 2007, refletindo pressão fiscal e inflacionária.
  • Bolsas de valores globais são impulsionadas por resultados corporativos sólidos, uma economia global resiliente e o avanço da inteligência artificial.
  • Economia dos EUA demonstra força com a criação de 90 mil empregos no setor privado em setembro e um crescimento do PIB de 2,2% no segundo trimestre.

Os títulos foram pressionados por uma combinação de deterioração das contas públicas, excesso de emissão de dívida e aceleração da inflação diante dos custos elevados da energia devido à guerra no Irã.

O rendimento dos Treasuries de referência de 10 anos se mantinha pouco abaixo do maior nível desde junho de 2007, em 5,209%, no início do pregão na Europa, em queda de 4,6 pontos-base. Ainda assim, estava a caminho de registrar uma alta de mais de 45 pontos-base no mês, o maior movimento em cerca de dois anos.

Por outro lado, as ações eram sustentadas por um crescimento robusto dos balanços, pela força na economia global e pelo entusiasmo com a inteligência artificial.

Os EUA criaram 90 mil empregos no setor privado dos Estados Unidos em setembro segundo o relatório nacional de emprego da ADP. O número veio acima das 70 mil vagas esperadas por economistas consultados pela Reuters.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu 2,2% em termos anualizados no segundo trimestre. O dado subiu em relação ao observado em agosto.

O núcleo da inflação PCE nos Estados Unidos, que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia, subiu 0,2% em agosto, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio nesta quarta-feira (30). O dado ficou dentro do esperado de acordo com as projeções de economistas ouvidos pela LSEG, que projetaram alta de 0,3%.

Como os índices futuros dos EUA operam nesta quarta-feira?

Em Wall Street, o Dow Jones Futuro subia 0,01%, S&P Futuro avançava 0,01% e Nasdaq Futuro tinha desvalorização de 0,05%.

Cenário para dólar, mercados internacionais e commodities

O dólar futuro para outubro – atualmente o mais negociado no mercado brasileiro – caía 0,34% na B3, aos R$ 5,184.

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam em alta, com a atividade industrial da China voltando a crescer em setembro, à medida que o agravamento da crise econômica leva os formuladores de políticas a intensificarem as medidas de estímulo e impulsionarem o crescimento.

O índice oficial de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro subiu para 50,1, ante 49,8 em agosto, em linha com a previsão de analistas consultados pela Reuters.

Os preços do petróleo operam perto da estabilidade após Trump negar que esteja disposto a aliviar as sanções contra o Irã. O Brent caminha para uma valorização mensal de cerca de 14%, sua maior alta desde julho, enquanto o WTI está a caminho de uma alta de 4%.

As cotações do minério de ferro na China fecharam em alta, com a retomada do crescimento da atividade industrial na China.

Da IstoÉ com Reuters

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