03/09/2026 - 9:45
A reunião de ministros das Relações Exteriores do Mercosul, realizada em Montevidéu nesta quarta-feira, 2, terminou em impasse sobre a divisão da cota de exportação de carne bovina à União Europeia (UE). Os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não conseguiram chegar a um acordo sobre como repartir as 99 mil toneladas de carne bovina que o bloco pode exportar anualmente com tarifa reduzida de 7,5%. A divergência central reside na proposta do Paraguai de uma divisão igualitária, de 25% para cada membro, contrastando com a preferência dos demais por um rateio proporcional ao histórico de vendas.
O que aconteceu
- Ministros do Mercosul não chegam a um acordo sobre a divisão da cota de carne bovina para a UE.
- Paraguai exige divisão igualitária de 25% para cada país, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai defendem proporção.
- Encontro em Montevidéu ocorre em meio a veto sanitário da UE à carne brasileira, adicionando complexidade ao cenário.
O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, anfitrião da reunião, relatou que “os países compartilharam seus pontos de vista, alguns mais próximos e outro mais distante, e não houve um acordo até o momento”. Ele destacou que houve uma discussão franca sobre os critérios e que existe uma proximidade entre Brasil, Argentina e, de certa forma, o Uruguai, mas uma “diferença importante com nossos amigos paraguaios em relação à proposta de divisão em 25%”.
Este encontro informal, o primeiro nesse formato em um ano, foi convocado pelo Uruguai, atual presidente temporário do Mercosul. O objetivo era destravar a divisão da cota de carne bovina, um desentendimento que se arrasta há meses entre os países do bloco.
O que dificulta o acordo sobre a carne?
Os ministros planejam se reunir novamente dentro de 45 a 60 dias de forma presencial. Eles também solicitaram que os negociadores técnicos intensifiquem os esforços para resolver a querela antes da cúpula de líderes, agendada para 4 de dezembro na capital uruguaia, onde um acordo político é esperado.
A reunião também ocorreu na véspera da entrada em vigor do veto sanitário da UE à comercialização da carne brasileira. De acordo com informações apuradas, o banimento do mercado europeu pode durar de dois a três anos, devido ao ciclo de vida do bovino. Apenas a carne embarcada até quinta-feira, 3, poderá ingressar no bloco europeu após esta data, o que adiciona urgência à situação.
O veto da UE é motivado pela exigência de não haver mais uso de antimicrobianos na pecuária, incluindo certos antibióticos, para melhoria de desempenho ou crescimento animal. O bloco excluiu o Brasil da lista de exportadores por não ter recebido garantias suficientes de cumprimento da certificação por parte do governo federal.
O impacto do veto europeu na carne brasileira
Mario Lubetkin afirmou que os ministros manifestaram preocupação com o veto imposto ao Brasil. Eles ressaltaram a importância de que o acordo Mercosul-UE sirva para abrir mercados, sem que mecanismos sejam utilizados para fechar portas.
A principal barreira para o acordo permanece a posição do Paraguai. O governo de Santiago Peña insiste que os quatro membros do bloco tenham direito a 25% da cota cada, defendendo uma divisão igualitária. A diplomacia paraguaia argumenta que essa divisão seria a mais justa, e produtores paraguaios veem nela um grande potencial de crescimento em sua participação no mercado.
Os demais países — Brasil, Argentina e Uruguai — possuem uma posição mais alinhada, compreendendo que a cota deveria ser repartida de forma proporcional ao histórico de vendas ao mercado europeu. Esse critério favoreceria os que possuem maior capacidade de produção, exportação e tamanho de rebanhos para abate. Segundo o ministro uruguaio, há uma “tendência” comum entre os três, mesmo que suas propostas não sejam 100% idênticas, e a divergência principal emana de Assunção.
Diplomatas interpretam a demanda paraguaia como uma tentativa de obter contrapartidas em outras negociações paralelas, como a revisão do Tratado de Itaipu e a venda de energia elétrica.
Em 18 de agosto, o chanceler paraguaio, Rubén Lezcano, reuniu-se com o setor privado do país em Assunção. Embora o setor apoie a demanda governamental pela divisão equitativa, Lezcano reconheceu a necessidade de “avançar com alternativas que permitam alcançar um consenso”.
Um acordo setorial privado de 2004, no âmbito da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm), estipulava que 42,5% do volume seria destinado ao Brasil, 29,5% para Argentina, 21% para Uruguai e 7% para o Paraguai. Esse cálculo considerava a participação de cada país no mercado europeu e a produção de carne bovina.
O acordo Mercosul-UE entrou em vigência provisória em 1º de maio. Atualmente, o preenchimento das cotas ocorre por ordem de chegada, priorizando os produtos que chegam primeiro ao bloco europeu, independentemente do país de embarque.
Da IstoÉ.
Leia mais
Mercosul não chega a acordo sobre cota de carne bovina para a UE
Ibovespa Futuro avança à espera de Datafolha e dados dos EUA
Dólar opera próximo da estabilidade com investidores à espera de dados e cenário fiscal
Quina: veja números são sorteados nesta quarta-feira
Timemania acumulapara R$ 11,7 milhões; veja números sorteados
Lotomania 2971: Sorteio não tem ganhador e prêmio acumula para R$ 3,5 milhões
Toyota RAV4 ganha versão híbrida PHEV de 329 cv por R$ 399.990; veja detalhes e equipamentos
