A má notícia sobre a Petrobras, de adiamento da publicação do balanço, inicialmente programado para hoje e agora estimado para daqui a um mês, no dia 12 de dezembro, contaminou a Bovespa antes mesmo de os negócios com a estatal terem sido iniciados. O índice à vista já abriu em queda, que era de quase 1%. O call de abertura da Petrobras foi postergado e o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, além de mais dois diretores da Bolsa, não participaram do início da coletiva de imprensa, sobre resultados da Bolsa no terceiro trimestre do ano, para tratar da abertura do pregão.

O call de abertura da Petrobras será das 11h15 às 11h30, informou a Bovespa. Hoje, a estatal petrolífera realiza reunião do Conselho de Administração. Às 10h41, o Ibovespa caía 1,56%, aos 51.037 pontos.

O adiamento da publicação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2014 já fez com que o Bank Of America Merrill Lynch rebaixasse, nesta manhã, a recomendação para as ações da estatal de “compra” para “neutro”. Já o analista de investimentos da Spinelli Corretora, Elad Revi, comentou que o adiamento, para além do prazo legal, é bastante preocupante. Segundo ele, a postergação do balanço e os problemas com a auditoria independente geram insegurança e minimizam a confiança, aumentando o risco para a imagem da companhia. Nesse ambiente, a estatal deve buscar mínimas históricas, previu o analista da Spinelli.

Segundo fato relevante divulgado na quinta-feira, 13, pela Petrobras, “em observância ao princípio da transparência, a Petrobras estima divulgar, em 12 de dezembro, informações contábeis relativas ao terceiro trimestre de 2014 ainda não revisadas pelos auditores externos, refletindo a sua situação patrimonial à luz dos fatos conhecidos até essa data”. O Broadcast apurou que a auditora PricewaterhouseCoopers (PwC) decidiu não assinar as informações trimestrais da estatal por esperar a conclusão das investigações sobre as denúncias do ex-diretor da companhia Paulo Roberto Costa no âmbito da Operação Lava Jato.

A operação, aliás, entrou hoje na sétima fase e registrou pela manhã a prisão, em Brasília, do vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, além de fazer buscas na sede da empreiteira. Policiais também vasculharam endereços da Odebrecht e de três de seus executivos. Trata-se de Márcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinicius Rocha Silveira. Executivos das duas empresas são suspeitos de pagar propina a dirigentes da Petrobras em troca de contratos superfaturados em obras da estatal. Parte dos recursos do esquema era direcionada a partidos da base aliada do governo, entre eles o PT e o PMDB, segundo o inquérito.

A notícia sobre a Lava Jato chegou às mãos da presidente Dilma Rousseff antes das 21 horas de sexta-feira no horário de Brisbane (9 horas no horário de Brasília). Dilma estava com membros da equipe econômica para acertar detalhes que serão apresentados durante as sessões do G-20 quando soube também da prisão do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.