19/08/2009 - 7:00

Diariamente, o personal trainer Flávio Trascoveschis sai de casa preparado para mais uma jornada de aulas particulares. Ele não parece nem de longe os instrutores de porte atlético que trabalham em academias.
Com um perfil mais próximo ao dos geeks – aficionados por tecnologia -, no lugar de halteres e colchonetes, ele carrega nas mãos apenas um smartphone. Trascoveschis faz parte de um novo time de profissionais que está ganhando cada vez mais importância no mercado. Com o avanço da tecnologia, a complexidade dos eletrônicos aumenta.
Mas nem sempre o consumidor consegue acompanhar essa evolução. Decifrar os manuais é uma missão quase impossível. Pedir ajuda para um familiar pode ser constrangedor. E é aqui que os personal trainers tecnológicos, como o Trascoveschis, entram. “As pessoas não querem mais depender de terceiros para usufruir dos seus equipamentos”, afirma ele, que trabalha na PDA Personal.
Por um preço fixo, esses professores hi-tech socorrem os alunos em restaurantes, escritórios ou em qualquer outro lugar que o cliente desejar. Grandes corporações, como Votorantim, Vale e Gerdau, também adotaram esse serviço. Não saber utilizar as ferramentas de um smartphone, além das funções básicas do telefone, é mais comum do que se imagina.
“Muitos executivos usam apenas 10% da capacidade de seus equipamentos”, afirma Paulo Delpizzo, diretor de soluções BlackBerry, da Navita, que ministra cursos para o uso do aparelho. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Mformation, com americanos e ingleses, esse não é um problema exclusivo dos brasileiros.
Dos quatro mil entrevistados, 61% disseram que configurar um celular é tão frustrante quanto mudar de conta bancária. E 45% deles evitam trocar seus aparelhos por modelos mais novos e sofisticados para não ter dor de cabeça (leia mais dados no quadro “O complicado mundo dos celulares”). Foi de olho nessa oportunidade que a PDA Personal montou o seu negócio. A empresa foi criada em 1999 para dar suporte aos usuários dos antigos computadores de mão da Palm.
Atualmente, oferece cursos particulares sobre tocadores de música, notebooks, netbooks e smartphones. O valor da seção particular é de R$ 50 a hora. A aula online sai por R$ 25. A empresa ministra, em média, 350 aulas particulares por mês, para pessoas de 15 a 82 anos. “Questões básicas como transferência de um documento em anexo, gravação de DVD e instalação de impressoras são as dúvidas mais frequentes”, afirma Trascoveschis.
Para as pessoas que não querem gastar muito, existe a opção das aulas coletivas. A Casa do Notebook criou um curso intensivo, em São Paulo, para ensinar os usuários de laptops a utilizar os principais recursos do equipamento. Basta levar o computador pessoal para, em seis horas, aprender a explorar todo o potencial da máquina.
Os personal trainers tecnológicos também são muito requisitados por grandes corporações. Há dois anos, a Navita oferece um treinamento exclusivo para usuários corporativos de BlackBerry. No total, foram mais de 50 empresas atendidas, entre elas Visanet, Redecard e os bancos Bradesco e Itaú.
“Muitos executivos não sabem nada de tecnologia e possuem em mãos uma ferramenta de ponta, mas não sabem fazer quase nada com ela”, explica Delpizzo. As empresas contratam os serviços da Navita para instruir seus funcionários.
O objetivo das aulas é ensinar as funções necessárias para tornar o trabalho do dia a dia mais prático. No entanto, os alunos aproveitam a presença dos profissionais para desvendar a parte de entretenimento que o aparelho proporciona. “Muitos querem aprender como transferir músicas para o smartphone”, revela Delpizzo.
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