18/09/2026 - 10:41
A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, aprovou a veiculação de 13 de um total de 15 anúncios políticos contendo informações falsas sobre as eleições brasileiras. As peças foram submetidas por pesquisadores da organização britânica Ekō como parte de um teste rigoroso dos mecanismos de controle de publicidade das plataformas e, embora aprovadas, não chegaram a ser exibidas aos usuários.
O estudo, divulgado pela Folha de S. Paulo, tinha como objetivo principal verificar a capacidade dos filtros da empresa em identificar violações das regras brasileiras para propaganda eleitoral. As imagens contidas nas peças publicitárias foram fabricadas utilizando ferramentas de inteligência artificial (IA), como ChatGPT, Grok e Gemini.
O que aconteceu
- Meta aprova anúncios políticos falsos sobre eleições brasileiras em teste.
- Conteúdos incluíam datas eleitorais incorretas, IA para criar imagens e fake news sobre figuras políticas.
- Apesar da aprovação de 13 peças, Meta justificou recusas por “práticas comerciais enganosas”, não por violações eleitorais ou discurso de ódio.
Entre o material que obteve a aprovação da plataforma, destacavam-se anúncios que veiculavam uma data falsa para o primeiro turno das eleições, uma imagem fabricada de um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma peça que atribuía falsamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um apoio oficial a Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado de uma imagem artificial dos dois na Casa Branca.
Outro anúncio que passou pelos filtros negava a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. O experimento também incluiu conteúdo que convocava cidadãos a “retomar Brasília” e fazia referência explícita aos ataques contra as sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de Janeiro de 2023, além de ameaças diretas a congressistas, discurso de ódio direcionado a pessoas transgênero e informações inverídicas sobre comunidades indígenas.
Os únicos dois anúncios que foram recusados pela Meta receberam a classificação de “práticas comerciais enganosas ou desonestas”, conforme relatado pela Ekō. A justificativa, surpreendentemente, não fez menção às violações eleitorais evidentes, à incitação à violência ou ao discurso de ódio que foram intencionalmente testados pelos pesquisadores.
As plataformas da Meta são eficientes contra a desinformação?
As peças foram submetidas sem a indicação explícita de que as imagens haviam sido produzidas artificialmente. As normas do TSE são claras ao exigir que o uso de conteúdo sintético em propaganda eleitoral seja informado de maneira destacada, incluindo a identificação da tecnologia empregada em sua criação.
A regulamentação eleitoral brasileira proíbe terminantemente a veiculação de conteúdo fabricado ou manipulado que seja utilizado para disseminar fatos notoriamente falsos ou gravemente descontextualizados, com potencial para comprometer o equilíbrio da eleição ou a integridade do processo eleitoral. Estas regras foram recentemente atualizadas pelo TSE visando a disputa de 2026.
De acordo com a Ekō, nenhum dos 13 anúncios aprovados pela Meta recebeu a devida identificação de conteúdo relacionado a “questões sociais, eleições ou política”. A organização britânica ressalta que as peças também estavam em desacordo com as próprias políticas internas da empresa controladora do Facebook e Instagram.
Controle de origem e transparência em xeque
Outro aspecto crucial testado foi a origem da publicidade. Os anúncios foram enviados por uma conta sediada nos Estados Unidos, mas direcionados especificamente ao público brasileiro. A legislação eleitoral do Brasil estabelece regras rigorosas para a contratação e o impulsionamento de propaganda eleitoral na internet, exigindo mecanismos claros de identificação dos anunciantes e total transparência sobre os responsáveis pelo pagamento.
A Ekō optou por não divulgar os textos completos nem as imagens utilizadas no experimento. Segundo a organização, essa decisão visa impedir a reprodução das técnicas empregadas para testar e, potencialmente, contornar os sistemas automáticos de revisão das plataformas.
Em resposta à Folha de S. Paulo, a Meta afirmou que os anúncios foram identificados antes de serem exibidos aos usuários e que a empresa trabalha continuamente para impedir a veiculação de conteúdos que violem suas políticas. A companhia reiterou seu investimento em mecanismos de segurança e transparência para proteger a integridade das eleições.
Para a Ekō, contudo, o fato de 13 peças terem recebido autorização inicial para publicação aponta para falhas significativas na etapa de revisão dos anúncios. O teste foi realizado em período de campanha eleitoral, quando o TSE impõe às plataformas a adoção de medidas proativas para combater desinformação, conteúdos antidemocráticos, incitação à violência e o uso irregular de inteligência artificial.
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