Chega ao Brasil no final de julho um americano afável de grande fortuna pessoal chamado John Danilovich. Aos 54 anos, esse empresário sorridente, fluente em espanhol, assume o posto de embaixador dos Estados Unidos em Brasília, substituindo Donna Hrinak. Do ponto de vista da política interna americana, sai uma democrata e entra um republicano de carteirinha, eficiente arrecadador de fundos para o partido. Do ponto de vista do Brasil, deixa o País uma embaixadora de carreira, sem acesso direto ao centro do Império, e chega um empresário com boa ligação pessoal com o presidente George Bush. Na tradição política americana, cargos de embaixador são freqüentemente usados para contemplar os grandes doadores de campanha. Danilovich doou apenas US$ 21 mil para a eleição de Bush em 2000, mas se tornou embaixador na Costa Rica por seu esforço arrecadatório. A embaixada da França, por comparação, ficou com alguém que doou US$ 400 mil. Ocorre que Danilovich, surpreendentemente, revelou-se um bom diplomata, impulsionando com firmeza e sucesso a assinatura de um tratado de livre comércio entre os dois países. Pediu e, como prêmio, recebeu o cargo de embaixador no Brasil.

?Ele entende muito de comércio, a parte mais difícil das relações bilaterais?, diz Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington. ?Danilovich é republicano mas não é radical.? O futuro embaixador tem negócios de transporte marítimo e dirigiu por anos a companhia do Canal do Panamá. Sua mulher, Irene, vem de uma família de hoteleiros com interesses na Europa. Em sua sabatina no Congresso ame-
ricano, ele fez uma apresentação simpática e generosa do Brasil ? ?locomotiva da América Latina, sociedade vibrante, dinâmica e multicultural? ? e até defendeu o País. O senador Norm Coleman, presidente da Comissão de Relações Exteriores, atacou: ?O Brasil vive às turras conosco. Se os Estados Unidos dizem A, o Brasil diz B?. O candidato respondeu ressaltando as históricas afinidades entre os dois países. ?Nós nem sempre concordamos em tudo, mas vou me esforçar para construir um terreno comum?, prometeu. Na Costa Rica, Danilovich deixou a reputação de ser ?firme e justo? ? e de gostar de vatapá, provado na embaixada brasileira em São José.