O excêntrico bilionário australiano Kirk Kerkorian sacudiu a indústria cinematográfica na semana passada ao anunciar que está passando nos cobres a ?jóia da coroa? de seu império: a Metro Goldwin Mayer. E disse que vai cobrar caro por isso: US$ 7 bilhões. A informação de que o estúdio foi colocado à venda caiu como uma bomba sobre Wall Street. Na terça-feira 15, as ações da MGM deram um salto de 12%, atingindo sua melhor marca em sete meses. A disposição de Kerkorian ? que incumbiu o banco Goldman, Sachs & Co. de achar um comprador ? esbarra, no entanto, na apatia dos potenciais interessados, leia-se Walt Disney Co., AOL-Time Warner, Viacom e Vivendi Universal, cujos principais executivos negaram-se a comentar o assunto. Analistas americanos, contudo, dizem abertamente que o magnata exagerou na dose ao embutir no preço um ágio de 32% sobre o valor de mercado da MGM.

Cassinos. Como todo amante de pôquer ? o empresário controla os principais cassinos de Las Vegas: MGM Grand, Mirage e Bellagio ? Kerkorian sabe que o blefe faz parte do jogo. Ao sobrevalorizar seu mais vistoso ativo, ele deixa claro que não pretende ?entregar barato? o segundo maior acervo de filmes do planeta (a liderança cabe à Warner Bros.), que inclui as séries estreladas pelo agente James Bond e o boxeador Rocky; produções consagradas como O silêncio dos inocentes e Rain Man; além de clássicos como Cantando na chuva, Pantera cor-de-rosa e Casablanca. Por ano, apenas essas produções rendem US$ 300 milhões em royalties aos cofres da MGM, que já passou pelas mãos de Kerkorian outras duas vezes desde a década de 70.

O empresário ? que vive às turras com a ex-mulher Lisa (ela acaba de ingressar com pedido de pensão de US$ 320 mil para a filha Kira, de apenas 3 anos) ? sente, no entanto, que está cada vez mais difícil sobreviver na área de entretenimento apenas fazendo filmes. Não foi por outro motivo que as gigantes Time Warner, Disney e Universal foram buscar sócios de grosso calibre em segmentos complementares. O próprio Kerkorian deu tacadas nesse sentido ao adquirir participações minoritárias em mais de uma dúzia de tevês a cabo. Na mais recente, a Cablevision Systems, gastou a bagatela de US$ 825 milhões por um naco de 20% das ações. Mas não resistiu. Assim, aos 84 anos, Kerkorian quer sair de cena bem ao estilo dos grandes jogadores, que só deixam a mesa do cassino depois de ?quebrar a banca?.