Com faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2000, a Gradiente estampa sua marca na maioria dos videogames vendidos no Brasil. Metade dos aparelhos de DVDs e aproximadamente um em cada quatro aparelhos de som e celulares trazem seu nome. Mas para Eugenio Staub isso não é suficiente. Na semana passada, a empresa anunciou sua arma para disputar o mercado de computadores, o OZ. Vai enfrentar empresas com Dell, Itautec, Metron e Compaq, que disputam as vendas de micros palmo a palmo com margens estreitas de lucro e produção em escala. Não bastasse isso, dois em três PCs são oriundos do chamado mercado cinza, sem marca.

Como entender, então, a ousadia da Gradiente? ?Essa informalidade vai acabar um dia?, diz Staub. ?Já enfrentamos isso na área de videocassetes na década de 80 e nos celulares nos 90. No final, as marcas prevalecem?, diz. Para não bater de frente com os demais concorrentes, a estratégia adotada é competir com uma mercadoria diferenciada. Assim, o OZ unirá DVD, Internet, CD, televisão,tocador de MP3, rádio e controle remoto no mesmo pacote. ?Estamos criando uma nova categoria de produto?, diz Decio Decaro, diretor-geral da Gradiente Entertainment. Segundo ele, o equipamento poderá ficar no quarto, no escritório ou mesmo na sala, como se fosse o centro de inteligência da casa. A propaganda que deve começar a ser veiculada esta semana sequer trata o OZ
como um computador.

Com o OZ, a Gradiente se aventura pela segunda vez no mercado de PCs. Na década de 80, a companhia importou do Japão a plataforma MSX, que brigava com o Macintosh e com o padrão PC. No auge da produção, mais de 40 mil computadores chegaram a ser vendidos em um ano. Mas o crescimento dos PCs levou a empresa a abandonar o projeto em 1992. Dessa vez, a intenção é abocanhar 3% do mercado nacional, com uma produção mínima de 50 mil unidades por ano. ?Resta verificar se o consumidor concorda conosco?, diz Staub. ?É ele o árbitro final.?