12/03/2003 - 7:00
Faltam 52 dias. Os cartazes eletrônicos espalhados pelo quartel-general da Microsoft, em Redmond (Washington), avisam do próximo grande lançamento da gigante americana de software, o Windows 2003. Simplesmente um novo sistema operacional, que chega ao mercado com certo atraso em relação à data prevista? Não, fazem coro os executivos da equipe capitaneada pelo magnata Bill Gates. ?É o primeiro fruto da nova mentalidade adotada pela companhia há um ano: a computação confiável?, explica Jim Herbert, gerente-geral do Windows 2003. Muito mais que um sistema testado em todas as condições adversas para não dar ?pau? ? e duas vezes mais rápido que sua versão anterior ?, o Windows 2003 é a grande promessa para salvar a Microsoft de sua maior ameaça desde a concorrência com o Netscape em 1995: os programas livres, distribuídos gratuitamente pela rede, tendo entre seu maior símbolo o Linux. Devagar, eles foram ocupando mercado e redesenhando o jogo de poder da indústria de tecnologia. Apoiado por gigantes como Intel, IBM, HP e Dell, o alternativo Linux passou a ser adotado em corporações que vão da montadora Daimler Chrysler para a fashion Tommy Hilfiger e abocanhou quase 14% dos estimados US$ 50,9 bilhões que movimentam o mercado de servidores. Dona de quase 60% deste mercado, a Microsoft teve que descer do salto. Mudar de tática e também de discurso. ?Há um ano, resolvemos mudar a missão de nossa companhia?, explica o todo-poderoso Steve Ballmer (leia entrevista acima). ?Deixamos de lado o lema ?Um computador para cada pessoa? e, agora, somos uma companhia que ajuda seus clientes a realizarem seu potencial. Seja ele de negócios, de prazer ou de consumo.?
Uma das novidades mais interessantes que acontecem hoje nos laboratórios de Redmond são as visões que a Microsoft desenha para o futuro. ?São como carro-conceitos?, diz Thomas Gruver, diretor de Business Productivity e o criador do recém-aberto Escritório do Futuro. ?Os protótipos viram produtos em até 5 anos.? Um exemplo? De lá saiu o Tablet PC, lançado em meados de fevereiro no Brasil, ao custo médio de R$ 10 mil. No Escritório do Futuro, em pleno QG da Microsoft e a minutos de caminhada da sala do todo-poderoso Bill Gates, o visitante é convidado a participar do dia-a-dia da Cantoso, companhia fictícia que vive uma crise e precisa lançar rapidamente no mercado suas geringonças tecnológicas, para combater a concorrência. Ali são demonstrados equipamentos como o mouse sem fio, que acessa vários computadores em série e até o telefone celular. Um sistema que permite aos atrasados em uma reunião receber via e-mail no celular um resumo de tudo o que havia sido discutido até então. Em suma: sistemas que integram o computador de sua mesa de trabalho, ao PDA que você leva na bolsa e o telefone celular, com a televisão de sua casa e o sistema de GPS de seu carro. ?Não se trata apenas de uma demonstração de que estamos pensando em produtos bacanas, mas coisas que realmente fazem diferença, economizam tempo e dinheiro nas corporações?, explica Gruver.
Na Casa do Futuro, tudo parece ainda mais fantasioso. O visitante entra no dia-a-dia de uma família americana. O ano é 2010. Na porta, nada de chaves. Leitura de íris identifica os moradores e dá acesso aos ambientes. Luminárias mudam a sala de cor com um toque de controle remoto. Um microondas inteligente faz a leitura do código de barra do produto e indica automaticamente quanto tempo e em que temperatura ele deve ser aquecido. Um computador central, chamado de MC, responde aos comandos de voz da dona de casa. ?MC, apague as luzes?. E puft, o ambiente escurece. Tudo está sendo testado, em protótipo. Comandos de voz são uma das principais barreiras deste mercado. ?Vai demorar alguns anos até que consigamos fazer um computador responder à voz humana corretamente?, admite Ballmer. ?Mas já fizemos o reconhecimento de escrita. A voz é apenas o próximo passo.?