Uma das principais qualidades da Microsoft é a sua capacidade de reação quando está sob ataque. Até o final do ano, os concorrentes da empresa no Brasil serão surpreendidos com uma contra-ofensiva que envolverá investimentos milionários, lançamento massivo de produtos, anúncios de parcerias e de outras medidas para ampliar ainda mais a sua fatia de mercado. A intenção da companhia é mostrar
aos seus críticos todo o poder de fogo que dispõe no País e que ficou suspenso nos últimos meses em função da crise econômica, das eleições e até dos avanços monitorados da concorrência. ?Temos por hábito não pensar pequeno?, afirma o diretor de marketing da Microsoft, Luiz Marcelo Moncau. Tradução: a Microsoft nunca esteve tão disposta e decidida a manter sua liderança em território brasileiro. Sinais nessa direção não faltam. O mais importante é o fim da disputa judicial entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a empresa, na qual a companhia estava sendo acusada de monopólio.

Nesse cenário, a ação mais ousada é um investimento de
US$ 15 milhões. Juntamente com empresas privadas e
instituições públicas, a Microsoft criará nos próximos três anos
20 centros de tecnologia que desenvolverão softwares e produtos baseados na tecnologia da companhia de Bill Gates. Duas dessas unidades já funcionam em Curitiba e Petrópolis, no Rio de Janeiro.
O primeiro centro atende a demanda na área governamental e o segundo, no setor de telecomunicações e petróleo. Outras quatro unidades serão abertas até o final do ano. ?Queremos que 100 mil pessoas entrem em contato com os nossos produtos de alguma forma a cada ano?, diz Moncau.

A função desses centros é clara. A Microsoft quer montar em todo o País uma rede capaz de atender às necessidades de tecnologia de qualquer um dos seus clientes no Brasil e no mundo. O princípio é simples. Quando um novo produto baseado em alguma tecnologia Microsoft for desenvolvido por alguma dessas unidades, cujo objetivo não é o lucro, mas apenas a pesquisa, ele será apresentado aos grandes clientes e terá o selo de qualidade da empresa. Nesse caso, a Microsoft será a vitrine. ?A vantagem desse projeto é a formação de gente capaz de trabalhar com as últimas tecnologias?, afirma Descartes Teixeira, diretor do Instituto de Tecnologia de Software.

A segunda etapa da ofensiva será equacionar um problema no mercado das pequenas e médias empresas que têm por hábito piratear os softwares em lugar de comprá-los. Na próxima semana, a Microsoft anunciará uma nova política de vendas para reduzir os problemas com os piratas. Também até o final do ano, a empresa apresentará ao mercado brasileiro o Tablet PC, um novo computador que muito se assemelha a um laptop, mas sem teclado. Nele, todas as funções são realizadas diretamente com um toque na tela, como acontece com os computadores de mão. Dois grupos nacionais estão interessados em comprar essas máquinas. Na área educacional, a companhia vai entrar com fôlego no mercado de software de ensino de crianças e adolescentes. Hoje, há uma convênio com 56 escolas no País, mas o objetivo é colocar a marca da companhia nos computadores de milhares de escolas. Diante desse quadro, engana-se quem acredita que a Microsoft está perdendo fôlego.