13/02/2008 - 8:00
ADRIANA MATTOS E ROBERTA NAMOUR
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FUNDAÇÃO: em 1994, por David Filo e Jerry Yang
| FUNDAÇÃO: 1975
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Neste exato momento, há um megaacordo em discussão que, caso se concretize, será um dos principais marcos na história da Nova Economia. O seu impacto vai muito além do volume estratosférico da operação ? algo como US$ 44,6 bilhões ? e ultrapassa até mesmo a importância (inegável) dos personagens envolvidos. A operação pode ser a diferença entre a consolidação ou o encolhimento de um império. E deve transformar tremendamente o mundo virtual como o conhecemos hoje. Trata-se da Oferta Pública de Aquisição da superpotência dos softwares mundiais, a Microsoft, por uma das empresas mais importantes do mundo digital, o Yahoo, anunciada na sexta-feira 10. É a maior oferta desde a fusão da AOL com Time Warner, em 2000. Tornou-se a confirmação de um processo inevitável de união de dois universos complementares: o mundo dos aplicativos para computadores e os serviços virtuais na internet. Mais ainda: a negociação, em pleno andamento, deverá pavimentar o terreno para uma das maiores disputas do novo capitalismo a ser travada entre a Microsoft e o Google, a marca mais valiosa do mundo. No Brasil, a liderança do site de busca é avassaladora. O Ibope Inteligência estima que 80% das pesquisas acontecem por meio do Google.com no País. Entre os sites mais procurados, no entanto, os portais da Microsoft e do Yahoo, somados, lideram o ranking com 19,1 milhões de visitantes ? o Google aparece em segundo lugar com 18,8 milhões, informa o Ibope/ NetRatings. ?Uma eventual fusão das operações por aqui seria indolor. A estrutura é pequena e eficiente?, diz Tania Amaral, diretora da consultoria InternetBrasil.
Lá fora, a disputa é declaradamente mais acirrada e a Microsoft já deu o chute inicial na briga por mercado. Em carta de mais de três páginas encaminhada no dia 31 de janeiro aos membros do conselho de administração do Yahoo, Steve Ballmer, CEO do grupo, apresenta a oferta hostil e fala na necessidade de combinar as operações e criar o que ele chama de ?uma companhia líder em tecnologia com aplicativos eficientes e potencial publicitário excepcional?. A Microsoft já cortejava o Yahoo há meses porque precisa, urgentemente, colocar os dois pés no mercado de propaganda virtual em sites especializados ? algo que o Google faz com maestria. Dono de 62,4% do mercado de buscas na internet, o site fundado por Larry Page e Sergey Brin conseguiu faturar US$ 16,6 bilhões no ano passado, uma alta de 57% sobre 2006. Quase 99% dessa receita vem da publicidade online, exatamente o ponto fraco da Microsoft. Na empresa de Bill Gates, essa unidade de negócios foi a única que perdeu dinheiro: US$ 732 milhões no ano passado e outros US$ 74 milhões em 2006. É esse braço da empresa que cuida dos anúncios no MSN e Messenger, por exemplo. Trabalhar dessa forma tem sido um erro, dizem os analistas. E pior: com as belas perspectivas de expansão da publicidade móvel, como celulares, a Microsoft pode perder feio a corrida para o Google, que já está com projeto pronto para a expansão de sua mídia no apelidado GooglePhone. Em relatório, o Goldman Sachs diz que a empresa entende a importância do braço de publicidade online, mas critica a política de investimentos minguados ? US$ 900 milhões todos os anos. ?A publicidade online é um mercado em crescimento e com enorme potencial, e a forma como a questão será tratada dentro da Microsoft vai afetar dramaticamente os resultados da empresa na próxima década.? Ou seja, é preciso fazer algo. ?Se ficar com o Yahoo, a Microsoft consegue a sua porta de entrada na internet?, completa Claudia Woods, diretora de estratégia e inteligência da Predicta, especializada em marketing online. É claramente uma atitude defensiva, diz ela. Exemplo: no pacote a ser adquirido pela Microsoft, ela embolsa o Yahoo Videos, concorrente direto do YouTube, controlado pelo Google. Ponto a seu favor. E a história se repete com o Flickr, o álbum de fotos online do Yahoo. Ele é sucesso absoluto na web, ao contrário do desconhecido Picasa, do rival. Em uma só tacada, a Microsoft passa a ter oferta bombástica de serviços móveis. ?Em termos de conceito, faz todo o sentido, mas, se vai dar certo, já é uma outra história?, afirma Alexander Mandic, um dos precursores da internet no Brasil.

Mesmo se a conversa entre as partes avançar, e as arestas forem aparadas (cauteloso, o Yahoo disse que apenas está avaliando a proposta), a dor-de-cabeça só está começando. Vai ser preciso muito jogo de cintura para implantar um programa de sinergia que não faça as empresas tropeçarem no meio do caminho. ?Haverá um enorme choque cultural e de gestão?, diz Henry Blodget, analista autônomo e ex-Merrill Lynch. A questão aí está no DNA de cada companhia: enquanto o Yahoo é uma empresa de criativos, a Microsoft é uma indústria do mundo digital. Por lá, a questão da hierarquia é levada a sério. No Yahoo a conversa muda de figura. O sucesso de David Filo e Jerry Yang pode ser explicado pela capacidade de quebrar conceitos preestabelecidos, dentro e fora do escritório. De qualquer forma, pelas contas de Blodget, se a venda acontecer, haverá redução de 30% no quadro de pessoal, num primeiro momento, pela duplicidade de postos. Já há, inclusive, empregados fazendo listas de apostas sobre quem sai primeiro, por livre e espontânea vontade. Só para não trabalhar dentro do conceito ?Microhoo?, como tem sido batizada a nova empresa informalmente. Se essa integração for menos penosa do que parece, ainda será preciso consolidar a tecnologia empregada. Exemplo: hoje, o Xbox, da Microsoft, opera sob Windows. Já o Yahoo Games disponibiliza o download de games em seu portal. E só. Henry Blodget vai mais além nessa análise. Afirma que ?nenhuma companhia pode fazer tudo e a Microsoft está lutando em muitas batalhas ao mesmo tempo?. Contra Apple e Sony, precisa disputar o segmento de softwares domésticos. Já contra IBM e SAP, trava a guerra pelo mercado corporativo. E ainda tem de enfrentar a briga no mercado de plataformas móveis para celulares com a Symbian.
Juntos, MICROSOFT E YAHOO lideram o ranking de portais mais visitados no País. Mas o Google continua sendo o site de busca líder no mercado brasileiro. Lá fora, a disputa é ainda mais acirrada
Pelo poder de fogo da empresa de Gates, parece uma compra quase inevitável. E até pode acontecer. O Yahoo anda meio mal das pernas e começa a encolher. A receita subiu ligeiramente, de US$ 6,4 bilhões para US$ 6,9 bilhões, mas o lucro despencou de US$ 751,3 milhões para US$ 660 milhões de 2006 para 2007. No final de janeiro, o grupo cortou mais de mil pessoas, reduzindo o quadro para 13,6 mil empregados. Analistas entendem ser mais interessante ao Yahoo uma joint venture entre as empresas. Até porque Jerry Yang é um dos mais resistentes a uma venda. Ele já deixou escapar que teme que a empresa seja engolida pela Microsoft, se não tiver poder de decisão lá dentro. Dias antes de apresentar a carta de interesse ao mercado, Ballmer se encontrou com Yang. A conversa teria sido apenas ?amistosa? e rápida. Ballmer comentou o interesse, disse que publicaria a carta e foi-se embora. A Microsoft já deixou claro que pode colocar mais a mão no bolso e elevar a proposta atual ? US$ 31 por ação (ágio de 62%). É um recado direto para quem imaginar atravessar o seu caminho com uma contra oferta ? leia-se: o próprio Google. A primeira reação da concorrência foi o ataque. No mesmo dia em que a Microsoft formalizou seu interesse, o CEO do Google, Eric Schmidt, ligou para Jerry Yang propondo um acordo que envolveria o abandono da ferramenta de busca do Yahoo em troca de uma receita fixa de publicidade. Com isso, a empresa declinaria da proposta da rival. Yang prometeu que pensaria. Enquanto isso, o mercado (ansioso) aguarda.

