12/02/2003 - 8:00
Por muito tempo, tudo o que o bilionário Paul Allen tocava virava ouro. Quando o homem que fundou a Microsoft com Bill Gates anunciava que iria comprar uma empresa, as ações subiam instantaneamente. Ao comentar sobre algum produto, ele virava a vedete na próxima feira de tecnologia. Allen tinha o dom de antecipar as ondas tecnológicas e ganhou a fama de visionário do novo mundo. Dinheiro, ele ainda tem bastante, mas a sua fama não resistiu ao tempo. A maior parte das empresas do portfólio da Vulcan, companhia de capital de risco criada por ele, está com ações em queda e dívidas volumosas. Outras tantas fecharam as portas. A próxima da lista pode ser nada menos que a terceira maior operadora de televisão a cabo dos Estados Unidos, a
Charter Communications, em que Allen investiu US$ 7,4 bilhões do próprio bolso. Com uma dívida de US$ 20 bilhões e perda de assinantes, a companhia não descarta a possibilidade de pedir concordata em breve.
E foram vários os tropeços de Allen nos últimos três anos. O site de comércio eletrônico Mercata, em que ele colocou US$ 27 milhões, fechou em 2001. O provedor de acesso à internet sem fio Metricon, que consumiu US$ 60 milhões, foi à bancarrota. Os US$ 100 milhões que injetou na Interval Research para desenvolver teclados infantis e computadores musicais sumiram com a empresa. Em um dos seus atos mais excêntricos, Allen doou US$ 11,5 milhões para o Instituto de Mountain View, na Califórnia, dedicado à busca de sinais de vida extraterrestre. Não encontrou, claro. Mesmo com todos esses deslizes, Allen ainda é o terceiro homem mais rico do mundo. Com uma fortuna de US$ 20 bilhões ele ainda pode pagar uma parcela significativa das dívidas para que elas fiquem compatíveis com o tamanho das receitas da Charter.