20/10/2026 - 14:00
O Partido Republicano chega às eleições de meio de mandato dos Estados Unidos sob risco de perder o controle do Congresso. Os democratas lideram por 7 a 12 pontos percentuais o voto genérico, indicador que mede a preferência partidária para o Legislativo sem apresentar nomes de candidatos.
A vantagem nacional favorece a oposição, mas não determina, isoladamente, a distribuição de cadeiras. As projeções citadas apontam um cenário mais favorável aos democratas na Câmara dos Representantes e uma disputa mais apertada no Senado.
As midterms estão marcadas para 3 de novembro. A votação renova toda a Câmara e aproximadamente um terço do Senado, atualmente controlados pelos republicanos.
Democratas aparecem como favoritos na Câmara
Uma projeção de pesquisadores da Universidade Cornell, divulgada em setembro, atribuiu aos democratas 80% de chance de conquistar a maioria na Câmara.
A perda da Casa reduziria a capacidade de Donald Trump de aprovar sua agenda legislativa. Os republicanos possuem uma maioria estreita, o que torna a disputa decisiva para a segunda metade do mandato.
No Senado, o cenário permanece menos definido. O levantamento do Cook Political Report citado no material apresenta uma faixa de ganhos democratas que inclui tanto um avanço insuficiente quanto um resultado capaz de alterar o controle da Casa.
Kansas aparece entre as principais incertezas. Os republicanos buscam uma vitória em Michigan e a manutenção da cadeira do Maine.
Inflação e gasolina pesam sobre a aprovação de Trump
O custo de vida está entre os principais obstáculos eleitorais do governo. A pesquisa do The Washington Post e da ABC, realizada pelo Ipsos, registra baixa aprovação de Trump e insatisfação disseminada com o preço da gasolina.
A pressão econômica atinge um dos argumentos centrais da campanha que levou o republicano de volta à Casa Branca: a promessa de enfrentar o encarecimento da vida nos Estados Unidos.
O material associa a alta dos combustíveis à guerra entre Estados Unidos e Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. A inflação passou a pressionar o governo à medida em que os preços permaneceram elevados durante o segundo mandato.
Perda da Câmara pode dificultar a agenda do governo
Uma maioria democrata permitiria à oposição controlar a pauta de votação e as comissões da Câmara, além de ampliar sua influência nas negociações orçamentárias.
O partido poderia intensificar investigações sobre o Executivo e aprovar a abertura de um processo de impeachment. A destituição, porém, dependeria de uma votação qualificada no Senado, sem decorrer automaticamente de uma derrota republicana nas eleições.
Trump já afirmou esperar uma iniciativa desse tipo caso seu partido perca o controle da Câmara.
“Eles vão encontrar um motivo para abrir um impeachment contra mim”, declarou no início do ano.
O Senado tem outro papel relevante para o governo: a confirmação de juízes e de integrantes do gabinete presidencial.
Regras eleitorais ampliam tensão entre os partidos
A disputa ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação do governo no processo eleitoral.
No início do ano, Trump negou a intenção de cancelar as eleições. Depois, afirmou à Reuters que, “pensando bem, nem deveríamos ter uma eleição”. A Casa Branca disse que o presidente estava “brincando”.
Em fevereiro, o republicano defendeu que seu partido deveria “nacionalizar a votação”. O material relata ainda que uma ordem executiva com novas exigências para o voto por correio foi barrada pela Suprema Corte em setembro.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou a proposta de nacionalização como “escandalosamente ilegal”.
Na sexta-feira (16), senadores democratas solicitaram ao Departamento de Justiça um compromisso de não apreender cédulas ou urnas. O pedido acrescentou a condução das eleições ao confronto político que antecede a votação.
O resultado de novembro definirá se Trump manterá apoio republicano nas duas Casas ou precisará negociar sua agenda com um Congresso controlado, ao menos parcialmente, pela oposição.
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