18/01/2002 - 8:00
O Banco Itaú, a Companhia Vale do Rio Doce e a Telemar sobem juntas ao pódio da Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec). E o melhor: na festa são os acionistas minoritários que estouram a champanhe. Afinal, eles são os principais beneficiados pelas políticas de bom relacionamento com os sócios que garantiu às três empresas o direito de ostentar, em 2002, o disputado selo de qualidade da entidade. Mais de 450 corporações de capital aberto foram examinadas no detalhado levantamento da Animec ? cujo resultado DINHEIRO publica em primeira mão. Telemar, Vale e Itaú destacaram-se nos principais critérios da classificação, que podem ser resumidos no conceito de boa governança corporativa ? transparência nas informações, distribuição justa de dividendos, participação nos conselhos e técnicas corretas para reestruturação ou fechamento de capital. O estudo demonstrou também que, apesar de estarem na moda na teoria da administração, esses conceitos ainda não são adotados no dia-a-dia de boa parte das empresas. Ou seja, medidas que deveriam ser regras ainda são exceções no mercado acionário brasileiro.
Direitos. Se você é acionista minoritário de companhias
brasileiras, com certeza conhece bem a batalha para fazer valer os seus direitos. Alguns casos, como o incorreto fechamento de capital da Bombril, ainda deixam traumas. Por isso, a premiação da Animec é restrita ? apenas três recebem o selo. Pelo mesmo motivo, as vencedoras de 2000 ? Brasil Telecom, Saraiva e Ultrapar ? ficaram de fora na nova versão. ?Muitas companhias não conseguem dar continuidade à política de relação com os investidores. Desta forma, valorizamos as medidas positivas realizadas em cada ano?, explica Waldir Corrêa, presidente da Animec.
No caso da Telemar, a sua reestruturação acionária é que lhe valeu o selo de bom relacionamento. O processo teve dimensões impressionantes ? envolveu 16 empresas e aproximadamente quatro milhões de acionistas. Terminou, no entanto, com final feliz, sem que ninguém tenha saído no prejuízo. O valor econômico proposto pela companhia para a troca dos papéis das subsidiárias pela Telemar PN foi 9% superior ao seu valor patrimonial. Além disso, o investidor levou prêmio de 12% para fazer a operação. Os principais trunfos para o sucesso foram a presença dos minoritários em todas as decisões e a correta avaliação dos preços. ?As reuniões foram incontáveis?, diz Álvaro dos Santos, diretor de finanças da Telemar. Também contou pontos a participação dos minoritários no conselho fiscal da companhia, medida considerada fundamental pela Animec.
Outro quesito para a premiação é o rigor nos dividendos. Foi nesse item que o Itaú saiu vitorioso. O pagamento ocorre mensalmente, com complemento semestral. Nos últimos 20 anos, o banco pagou R$ 3,8 bilhões de dividendos. ?Os minoritários são parceiros fundamentais?, diz Henri Tenchas, vice-presidente de finanças. A importância da parceria pode ser avaliada nas apresentações dos balanços anuais. O próprio presidente do Itaú, Roberto Setubal, comanda as conferências para o mercado financeiro.
Na Vale do Rio Doce, a transparência virou palavra-chave. A empresa acabou com as amarras de ex-estatal e lançou um programa de governança corporativa. As informações se tornaram públicas e os conselhos de administração e fiscal passaram a contar com a presença de executivos independentes. ?O resultado foi tão positivo, que já planejamos colocar minoritários nos conselhos?, afirma Roberto Castelo Branco, diretor-financeiro da CVRD. Para os acionistas, o retorno também foi satisfatório. O bom relacionamento valoriza a ação. As empresas que usam a governança corporativa têm o preço até 20% superior ao de outras com os mesmos índices econômicos. Afinal, é um critério de avaliação tão importante quanto liquidez e rentabilidade.
| Soma | |||
|
| Imposto | |||
|

