19/10/2026 - 13:06
Preços menores do minério de ferro e pressão de custos devem limitar os resultados de mineradoras e siderúrgicas no terceiro trimestre de 2026. As prévias dos bancos, porém, apontam diferenças entre as companhias: Gerdau e Aura Minerals devem apresentar crescimento do Ebitda, enquanto Vale, CSN, CSN Mineração e Usiminas enfrentam perspectivas de retração.
A demanda fraca na China e a expectativa de maior oferta pressionam o minério. Na siderurgia, custos mais elevados tendem a absorver parte dos ganhos com preços ou volumes vendidos.
Calendário dos balanços de mineração e siderurgia
Pelas datas informadas, Gerdau e Metalúrgica Gerdau abrem a temporada em 26 de outubro. A Vale divulga seus números três dias depois.
| Companhia | Código | Divulgação prevista |
|---|---|---|
| Gerdau | GGBR4 | 26 de outubro de 2026 |
| Metalúrgica Gerdau | GOAU4 | 26 de outubro de 2026 |
| Vale | VALE3 | 29 de outubro de 2026 |
| Usiminas | USIM5 | 30 de outubro de 2026 |
| CSN Mineração | CMIN3 | 10 de novembro de 2026 |
| Aura Minerals | AURA33 | 12 de novembro de 2026 |
| CSN | CSNA3 | 12 de novembro de 2026 |
Vale: minério mais barato e frete pressionam resultado
O Itaú BBA projeta Ebitda proforma de US$ 3,502 bilhões para a Vale, abaixo do trimestre anterior. A métrica exclui os efeitos dos acordos de Brumadinho e Mariana.
A principal pressão deve vir da divisão de ferrosos. Preços realizados menores e frete mais caro tendem a limitar o benefício do aumento dos embarques.
Nos metais básicos, a parada de Sossego deve afetar os volumes de cobre. Preços menores do níquel e custos de manutenção mais elevados completam o cenário desfavorável.
O Safra considera a Vale um dos destaques negativos da temporada. O JPMorgan apresenta leitura semelhante e chama atenção para custos caixa C1 elevados.
CSN Mineração: combinação de preços e volumes menores
A CSN Mineração deve registrar um dos resultados mais pressionados do setor, na avaliação do Itaú BBA. A estimativa é de Ebitda de R$ 469 milhões.
O banco espera queda dos preços realizados e dos volumes vendidos, acompanhada de aumento do custo caixa por tonelada. O Safra compartilha a avaliação de que o ambiente de preços e custos deve prejudicar o desempenho da mineradora.
CSN: mineração deve pesar no consolidado
Para a CSN, o Itaú BBA prevê retração do Ebitda e da margem consolidada. A operação de mineração deve sofrer com preços e volumes menores, somados a despesas mais altas com frete.
Na siderurgia, o aumento dos custos por tonelada tende a superar os ganhos com vendas domésticas. O JPMorgan avalia que a estratégia de priorizar volume em detrimento de valor, em um período de custos crescentes, deve pressionar o resultado do aço.
Usiminas: custos limitam ganhos na siderurgia
O Itaú BBA espera queda do Ebitda da Usiminas frente ao trimestre anterior. Na divisão de aço, custos maiores devem neutralizar os efeitos positivos do aumento dos embarques e dos preços domésticos.
A mineração terá contribuição menor, refletindo o fechamento de parte da capacidade produtiva em setembro e despesas operacionais mais elevadas. O Safra classifica o trimestre como desafiador para a companhia.
Aura Minerals: produção maior deve sustentar crescimento
A Aura aparece entre as expectativas mais favoráveis. O Itaú BBA projeta avanço do Ebitda, apoiado pelo aumento da produção e pela redução do custo caixa por unidade equivalente de ouro.
A melhora operacional deve compensar preços realizados mais fracos para o metal. O JPMorgan destaca a expansão da produção nas minas e a confiança da companhia em suas metas operacionais, com perspectiva de evolução adicional no quarto trimestre.
Gerdau: América do Norte concentra expectativa positiva
O Itaú BBA estima Ebitda de R$ 3,65 bilhões para a Gerdau, acima do trimestre anterior. A operação norte-americana deve liderar o desempenho, beneficiada por maior receita por tonelada e expansão de margem.
Esses ganhos tendem a compensar a redução dos embarques provocada por paradas de manutenção em Midlothian. No Brasil, o BBA espera estabilidade.
O JPMorgan aponta a América do Norte como principal vetor do resultado. Para a operação brasileira, prevê custos maiores e volumes mais fracos, sem eliminar a expectativa de crescimento do Ebitda consolidado.
As projeções indicam uma temporada desigual, na qual preços realizados, frete e eficiência operacional devem determinar a capacidade de cada companhia de preservar margens.
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