Preços menores do minério de ferro e pressão de custos devem limitar os resultados de mineradoras e siderúrgicas no terceiro trimestre de 2026. As prévias dos bancos, porém, apontam diferenças entre as companhias: Gerdau e Aura Minerals devem apresentar crescimento do Ebitda, enquanto Vale, CSN, CSN Mineração e Usiminas enfrentam perspectivas de retração.

A demanda fraca na China e a expectativa de maior oferta pressionam o minério. Na siderurgia, custos mais elevados tendem a absorver parte dos ganhos com preços ou volumes vendidos.

Calendário dos balanços de mineração e siderurgia

Pelas datas informadas, Gerdau e Metalúrgica Gerdau abrem a temporada em 26 de outubro. A Vale divulga seus números três dias depois.

CompanhiaCódigoDivulgação prevista
GerdauGGBR426 de outubro de 2026
Metalúrgica GerdauGOAU426 de outubro de 2026
ValeVALE329 de outubro de 2026
UsiminasUSIM530 de outubro de 2026
CSN MineraçãoCMIN310 de novembro de 2026
Aura MineralsAURA3312 de novembro de 2026
CSNCSNA312 de novembro de 2026

Vale: minério mais barato e frete pressionam resultado

O Itaú BBA projeta Ebitda proforma de US$ 3,502 bilhões para a Vale, abaixo do trimestre anterior. A métrica exclui os efeitos dos acordos de Brumadinho e Mariana.

A principal pressão deve vir da divisão de ferrosos. Preços realizados menores e frete mais caro tendem a limitar o benefício do aumento dos embarques.

Nos metais básicos, a parada de Sossego deve afetar os volumes de cobre. Preços menores do níquel e custos de manutenção mais elevados completam o cenário desfavorável.

O Safra considera a Vale um dos destaques negativos da temporada. O JPMorgan apresenta leitura semelhante e chama atenção para custos caixa C1 elevados.

CSN Mineração: combinação de preços e volumes menores

A CSN Mineração deve registrar um dos resultados mais pressionados do setor, na avaliação do Itaú BBA. A estimativa é de Ebitda de R$ 469 milhões.

O banco espera queda dos preços realizados e dos volumes vendidos, acompanhada de aumento do custo caixa por tonelada. O Safra compartilha a avaliação de que o ambiente de preços e custos deve prejudicar o desempenho da mineradora.

CSN: mineração deve pesar no consolidado

Para a CSN, o Itaú BBA prevê retração do Ebitda e da margem consolidada. A operação de mineração deve sofrer com preços e volumes menores, somados a despesas mais altas com frete.

Na siderurgia, o aumento dos custos por tonelada tende a superar os ganhos com vendas domésticas. O JPMorgan avalia que a estratégia de priorizar volume em detrimento de valor, em um período de custos crescentes, deve pressionar o resultado do aço.

Usiminas: custos limitam ganhos na siderurgia

O Itaú BBA espera queda do Ebitda da Usiminas frente ao trimestre anterior. Na divisão de aço, custos maiores devem neutralizar os efeitos positivos do aumento dos embarques e dos preços domésticos.

A mineração terá contribuição menor, refletindo o fechamento de parte da capacidade produtiva em setembro e despesas operacionais mais elevadas. O Safra classifica o trimestre como desafiador para a companhia.

Aura Minerals: produção maior deve sustentar crescimento

A Aura aparece entre as expectativas mais favoráveis. O Itaú BBA projeta avanço do Ebitda, apoiado pelo aumento da produção e pela redução do custo caixa por unidade equivalente de ouro.

A melhora operacional deve compensar preços realizados mais fracos para o metal. O JPMorgan destaca a expansão da produção nas minas e a confiança da companhia em suas metas operacionais, com perspectiva de evolução adicional no quarto trimestre.

Gerdau: América do Norte concentra expectativa positiva

O Itaú BBA estima Ebitda de R$ 3,65 bilhões para a Gerdau, acima do trimestre anterior. A operação norte-americana deve liderar o desempenho, beneficiada por maior receita por tonelada e expansão de margem.

Esses ganhos tendem a compensar a redução dos embarques provocada por paradas de manutenção em Midlothian. No Brasil, o BBA espera estabilidade.

O JPMorgan aponta a América do Norte como principal vetor do resultado. Para a operação brasileira, prevê custos maiores e volumes mais fracos, sem eliminar a expectativa de crescimento do Ebitda consolidado.

As projeções indicam uma temporada desigual, na qual preços realizados, frete e eficiência operacional devem determinar a capacidade de cada companhia de preservar margens.

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