A criação de um Conselho para fiscalizar os Tribunais de Contas –  seguindo o modelo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho  Nacional do Ministério Público (CNMP) – “é um passo necessário e  transformador”, segundo avaliação do ministro Bruno Dantas, do Tribunal  de Contas da União (TCU).

Dantas destaca que, além do papel  correicional e de controle administrativo, financeiro e orçamentário, o  Conselho Nacional do Tribunal de Contas seria a “pedra angular” para a  consolidação de um sistema nacional capaz de dar uniformidade às ações  das 34 Cortes de Contas em todo o País.

Para o ministro, o  reflexo da atuação do colegiado será “acabar com feudos e ilhas” na  administração pública. “O Brasil é muito carente e não pode se dar ao  luxo de ter instituições ilhadas.”

Ex-integrante do  Conselho Nacional do Ministério Público (2009/2011) e do Conselho  Nacional de Justiça (2011/2013) por indicação do Senado, o ministro  chegou ao TCU aos 36 anos de idade – tornando-se o mais jovem ministro a  tomar posse na Corte de Contas. Antes de integrar os Conselhos, Dantas  foi Consultor-Geral do Senado, entre 2007 e 2011.

Bruno  Dantas diz que a experiência bem-sucedida das instituições de  fiscalização das Promotorias e do Judiciário demonstra que essa solução  deve ser adotada pelos Tribunais de Contas.

O Conselho  Nacional do Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça foram  criados em 2004, pela Emenda 45. O ministro pontuou que, mesmo com toda a  resistência do Judiciário na época da aprovação da Emenda 45, “não dá  para imaginar a Justiça nesses últimos 10 anos sem o trabalho  correicional do CNJ”.

Bruno Dantas endossa a determinação  da Associação dos Tribunais de Contas (Atrricon), que mantém mobilização  pela criação do Conselho para as Cortes de Contas. O ministro do TCU  anotou que o Ministério Público também era favorável ao CNMP e que essa  disposição inicial “fica muito latente quando se olha o relacionamento  do Judiciário e do Ministério Público com seus respectivos Conselhos”.

Ele  reconhece barreiras na própria Corte de Contas da União à criação do  Conselho Nacional do Tribunal de Contas. Mas acredita que esses  obstáculos podem ser desmistificados.

“Tem que ser afastado  qualquer debate corporativista desse assunto. Devemos ter clareza das  competências, das atribuições, da composição e do critério de escolha  dos membros”, recomenda, ao se engajar na defesa do Conselho, atendendo a  um convite do ex-presidente da Associação dos Tribunais de Contas e um  dos líderes do movimento, conselheiro Antonio Joaquim, do Tribunal de  Contas do Estado de Mato Grosso.