O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva,  voltou a dizer, nesta quarta-feira, 24, que a campanha da presidente  Dilma Rousseff não mandou dinheiro para fazer pagamentos no exterior. As  investigações da Operação Lava Jato apuram o pagamento de caixa dois  fora do País. Conforme o Estado revelou hoje, a conta na Suíça  que os investigadores da Lava Jato dizem ser de João Santana recebeu  três depósitos que totalizaram US$ 1,5 milhão em 2014, período que o  marqueteiro cuidava da campanha da presidente.

“Eu fui  coordenador financeiro da campanha da presidenta e asseguro ao Brasil  que nada de errado aconteceu nas contas da presidenta Dilma. Todos os  contratos feitos pela campanha já foram auditados pelo TSE, já foram  extremamente investigados pelo TSE, aprovadas por unanimidade pelo  tribunal e nada se encontrou de ilegal nas contas da presidenta Dilma”,  declarou o ministro Edinho, em entrevista. “Estão tentando atribuir algo  à campanha presidencial que, no meu entender, é uma ilação, é uma  especulação”, desabafou o ministro.

Edinho explicou que o  que está em discussão é um contrato de uma empresa que foi produtora e  geradora de conteúdo de mídia durante a campanha de R$ 70 milhões.  ”Estão tentando fazer vínculo de uma remessa, se formos atualizar os  valores, pelo valor que era o dólar da época, que era de menos de 5% do  valor do contrato”, queixou-se. E emendou: “temos de ter muito critério  ao fazer este tipo de vínculo porque estamos falando de uma campanha que  gastou R$ 70 milhões por geração de conteúdo para mídia, TV, rádio e  internet. Este contrato está registrado. As notas estão lá no TSE para  quem quiser ver. Eu asseguro, enquanto coordenador financeiro da  campanha da presidenta Dilma, que a campanha agiu dentro da legalidade,  dentro da ética, dentro da maior transparência possível e que estas  contas foram auditadas e aprovadas pelo TSE”.

Prisão Santana

Para  o ministro Edinho, “em hipótese alguma”, a prisão do marqueteiro João  Santana ajuda a fortalecer a tese do impeachment da presidente Dilma.  Segundo o ministro, “alguns integrantes da oposição” estão querendo  transformar o impeachment em “instrumento de luta política porque isso  só aumenta instabilidade do País, só prejudica o Brasil na superação da  crise que estamos vivendo”. Edinho lembrou que o “impeachment é uma  previsão legal, desde que tenha fato concreto contra o presidente  empossado e nós não temos nada contra a presidente Dilma, que é uma  mulher íntegra, honesta, correta, que governa Brasil, mesmo em momentos  de dificuldades, com retidão, com extremo zelo pelo dinheiro público”.

Diante  da insistência da imprensa sobre a influência que a prisão de Santana  poderá trazer sobre a investigação da chapa Dilma-Temer, no TSE, o  ministro respondeu: “o que a presidente tem dito é que, se você tem  materialidade, se tem algo concreto a ser investigado, que se  investigue. Mas é preciso preservar o estado de direito, que é o pilar  de democracia, que as pessoas têm de ter o amplo princípio do  contraditório”.

Para o ministro fazer investigação não é  problema, mas dando direito de defesa e respeitando legislação, sem  politizar ou partidarizar a questão. “Politizar uma investigação não é  bom. Não é bom para o País, para a democracia e acaba criando um clima  ruim no País. Nós precisamos neste momento conviver com a investigação  que está aí, desde que ela aconteça dentro da legalidade. Mas precisamos  fazer com que o País continue e enfrente a crise econômica, e que se  possa, por meio do Congresso, aprovar as medidas que permitirão a  retomada do crescimento e geração de emprego. “Investigação vamos ter  todos os dias. É assim que funciona um País democrático, onde tem  autonomia dos poderes. O que não pode é politizar, partidarizar as  investigações, criando instabilidade política”, completou.

Panelaço

O  ministro Edinho Silva minimizou ainda o panelaço contra o PT e o  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a apresentação do  programa eleitoral do partido na noite de terça-feira, 23, alegando que  foi um ato democrático. “Nós vivemos em uma democracia. As pessoas têm  livre direito de manifestação. De manifestar o que pensam. Tem  manifestações favoráveis, tem manifestações contrárias. É assim que se  constrói democracia”, afirmou.