O ministro italiano de Obras Públicas, Maurizio Lupi, anunciou sua renúncia depois de acusado de envolvimento em um escândalo por corrupção.

“Amanhã entrego minha renúncia”, declarou o ministro, acusado de receber subornos em troca de favorecer uma série de empresários e políticos para obter licitações milionários no setor dos grandes projetos de obras públicas.

“É a melhor decisão que posso tomar”, acrescentou Lupi, que cambaleava no cargo, após a detenção, na segunda-feira, do ex-encarregado de supervisionar as grandes obras públicas do ministério, Ercole Incalza, considerado o artífice de um complexo sistema de corrupção.

A decisão de Lupi, que não é investigado pela justiça, foi tomada após uma reunião nesta quinta-feira com o premiê de centro-esquerda Matteo Renzi.

Na véspera, Lupi garantiu que ficaria no cargo. “Não renunciarei. Estou tranquilo, o governo me apoia”, declarou na Câmara dos Deputados.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, enfrenta assim o primeiro escândalo de corrupção de seu mandato.

A prisão na segunda-feira do ex-supervisor de obras públicas do ministério, Ercole Incalza, que permaneceu por muitos anos neste cargo, revelou uma rede de negócios ilícitos entre empresários e políticos.

Suspeita-se que o esquema montado há décadas pelo influente Incalza, que acaba de se aposentar, foi aplicado em licitações para a construção das linhas de trens de alta velocidade, de alguns pavilhões da feira universal que acontece este ano em Milão, da Expo15, das linhas C do Metrô de Roma e das 4 e 5 do Metrô de Milão e de trechos da Rodovia do Sul.

Junto com Incalza também foram presos os empresários Stefano Perotti e Francesco Cavallo, além de um colaborador, Sandro Pacella.

No total, 50 pessoas, entre as quais vários políticos, estão sendo investigados por corrupção, peculato e irregularidades na administração pública.

A promotoria de Florença (centro) acusa Incalza de ser o principal arquiteto do sistema de corrupção.