Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) discutirão na segunda-feira (20) a possibilidade de fazerem compras conjuntas de munições e de recorrerem ao financiamento público para garantir a demanda da Ucrânia em sua guerra com a Rússia.

A primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas, havia lançado na semana passada a ideia de implementar um mecanismo semelhante ao usado para a compra de vacinas contra o coronavírus, com compras centralizadas e pagamentos comuns.

Em entrevista a um jornal francês, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou seu apoio a esta iniciativa.

“Sou muito favorável à proposta da Estônia de mobilizar a indústria europeia da defesa para encomendar, comprar e produzir munição juntos”, afirmou, acrescentando que apresentará propostas específicas até o final de março.

A proposta da Estônia contempla uma dotação de 4 bilhões de euros (em torno de R$ 22 bilhões) ao Fundo Europeu para a Paz (FEP), para fazer compras conjuntas e, com isso, poder fornecer os projéteis de 155 mm utilizados pela artilharia ucraniana.

As compras comuns visam a evitar a concorrência entre os Estados-membros, explicou uma fonte europeia.

“Será lançada uma discussão, e é possível que essa conversa termine em algo totalmente diferente do que a Estônia está propondo”, disse um diplomata europeu.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, lembrou que “não se pode comprar equipamento letal com o orçamento da União Europeia”.

Ele observou, contudo, que “o Fundo Europeu para a Paz é um fundo intergovernamental e pode ser usado da forma que considerarmos mais adequada. Na segunda-feira, apresentarei propostas aos ministros das Relações Exteriores”.

O chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, participará da reunião de segunda-feira com seus homólogos da UE e renovará pedidos específicos de armas de que seu país precisa para resistir à ofensiva da Rússia.

O FEP já liberou 3,5 bilhões de euros (em torno de R$ 19,2 bilhões) em sete parcelas de 500 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões), e os países da UE já concordaram em repassar mais 2 bilhões de euros (R$ 11 bilhões).

Esse dinheiro é usado para reembolsar os Estados por fornecerem à Ucrânia armas e munições de suas reservas. O FEP complementa com aportes baseados no tamanho de seu Produto Interno Bruto (PIB), o que faz de Alemanha, França e Itália seus três principais contribuintes.

Áustria, Irlanda e Malta não contribuem para financiar o fornecimento de armas letais por meio do FEP, e seus aportes são cobertos pelos outros 24 membros da UE.