O dólar operou em queda frente a outras moedas fortes nesta terça-feira, influenciado pela crescente incerteza sobre o impacto das tensões comerciais e da política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que confirmou a imposição de tarifas ao Canadá e México na próxima semana, quando expira um adiamento de 30 dias. A moeda também foi pressionada pela queda inesperada na confiança do consumidor norte-americano.

O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, fechou em queda de 0,27%, a 106,308 pontos, com a moeda americana recuando a 149,00 ienes. O euro, por sua vez, subia a US$ 1,0519, assim como a libra, que operava em alta a US$ 1,2673.

O MUFG destaca que as medidas protecionistas de Trump, incluindo a possibilidade de “tarifas disruptivas”, são um fator crucial para o desempenho futuro do dólar. A instituição observa que, embora a incerteza comercial impacte a moeda no curto prazo, tarifas mais agressivas poderiam fortalecê-la no segundo trimestre.

No entanto, o Brown Brothers Harriman (BBH) afirma que os comentários do republicano “não deveriam surpreender a ninguém”, porque ainda não é possível saber quão amplamente as tarifas serão aplicadas, apenas que “estão a caminho”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum afirmou que espera fechar um acordo com os EUA até 4 de março, quando expira a suspensão das tarifas de Trump.

Além das questões comerciais, a geopolítica segue no radar dos investidores e também dos banqueiros centrais, que têm destacado as incertezas globais como um fator que dificulta a condução da política monetária. O mercado tem ficado atento aos diferenciais de juros sobretudo entre EUA e Europa.

Isabel Schnabel, dirigente do BCE, afirmou que os riscos inflacionários estão voltados para uma alta devido a fatores como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e escassez de mão de obra. Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, pediu cautela na redução de juros, destacando a incerteza e o comportamento recente da inflação. Já Yannis Stournaras, presidente do BC da Grécia, defendeu a continuidade da flexibilização monetária até que a taxa de juros principal atinja 2%, apontando que ainda não é o momento para uma pausa nas políticas do BCE.