29/08/2025 - 17:26
O dólar operou perto da estabilidade nesta sexta-feira, 29, encerrando a semana com pouca alteração, mas fechando um mês de queda de 2% para o ativo. Indicadores da economia americana, incluindo o índice de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) foram divulgados hoje e pouco afetaram as perspectivas de um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na reunião de setembro. Além disso, seguem as disputas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o banco central, especialmente com a judicialização da demissão da diretora Lisa Cook.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou em queda de 0,04%, a 97,771 pontos. Por volta das 16h50 (de Brasília), o euro se valorizava a US$ 1,1702 e a libra tinha avanço a US$ 1,3514. A moeda americana tinha alta ante a japonesa, cotada a 146,95 ienes. Na semana, houve alta de 0,05%. No mês, queda de 2%.
Segundo a Bloomberg, a audiência de emergência de Cook terminou sem uma decisão da juíza Jia Cobb. Cobb pediu aos advogados que discutissem se ela pode deixar de emitir ordens temporárias para preservar o status quo enquanto avalia o mérito da disputa judicial. O advogado de Cook, Abbe Lowell, disse que não aceitaria nenhuma situação que permitisse a Trump tentar preencher a vaga de Cook nesse meio tempo.
O avanço do núcleo do PCE em julho confirma uma tendência de crescimento fraco da atividade e mantém em vista uma perspectiva de alívio inflacionário mais à frente, segundo a Pantheon Macroeconomics. O detalhe do indicador mostrou estabilidade nos preços de bens, mas uma aceleração relevante nos de serviços, que deve perdurar até agosto. Já o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu em agosto à medida que os recentes anúncios de tarifas e a desaceleração do mercado de trabalho dos EUA alimentaram a ansiedade em relação à economia, avalia a Oxford Economics.
“Uma semana tranquila de fim de mês viu o dólar se estabilizar – apesar da recente escalada de ataques do governo Trump ao Fed. A falta de continuidade desses ataques e o discurso dovish do presidente do Fed, Powell, em Jackson Hole, na semana passada, sugerem que, dada a extensão dos cortes do Fed já descontados nos mercados monetários, a expectativa para outra grande queda nas expectativas de juros dos EUA e do dólar é alta”, aponta a Capital Economics. “Provavelmente seria necessário um relatório de empregos excepcionalmente fraco para que as expectativas de juros e o dólar caíssem muito mais a partir daqui. Assim, continuamos acreditando que o dólar ainda deve se estabilizar nos próximos meses”, projeta.