O dólar operou de lado ante outras moedas fortes nesta segunda-feira, 27, em sinal de cautela com o impasse das negociações entre EUA e o Irã e à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), marcada para a quarta-feira, 29. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,03%, a 98,496 pontos.

Por volta das 16h50 (de Brasília), o dólar subia a 159,42 ienes, enquanto o euro tinha alta a US$ 1,1724 e a libra operava estável a US$ 1,3536.

A continuidade de divergências nas negociações de paz entre Washington e Teerã exerceu influência nos mercados de câmbio hoje. O presidente americano, Donald Trump, cancelou no sábado o envio de uma delegação dos EUA ao Paquistão, mediador das conversas, enquanto uma proposta iraniana propôs reabrir o Estreito de Ormuz apenas se Washington retirar o programa nuclear das negociações e acabar com o bloqueio ao portos do país persa.

Para o ING, as quedas do dólar devem permanecer limitadas, já que os preços do petróleo continuam elevados e os investidores questionam como os bancos centrais reagirão ao aumento da inflação e um crescimento fraco. Uma política monetária cautelosa pelo BC americano pode oferecer suporte à moeda americana, segundo Paolo Broccardo, CEO do BankPro.

Grandes BCs, incluindo o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), o Federal Reserve, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) devem deixar os juros inalterados ao longo da semana, esperando mais clareza sobre as consequências do conflito para as economias.

O status de “porto seguro” do dólar voltou a se destacar durante o conflito no Oriente Médio, afirma a Russell Investments, acrescentando que o crescimento resiliente e inflação acima do esperado devem impedir corte de juros do Fed em 2026. A empresa de investimentos ainda aponta que uma guinada na política do BC americano é improvável sob Kevin Warsh, que terá sua nomeação submetida à votação no Senado americano na quarta-feira.

*Com informações da Dow Jones Newswires