dólar operou em alta nesta quinta-feira, 2, em mais um dia no qual os desdobramentos da guerra dominaram o mercado de câmbio. A nova disparada do petróleo com as perspectivas de um conflito prolongado pressiona as moedas de importadores líquidos de energia, com destaque para o Japão, enquanto favorece ativos de exportadores, em especial o dólar. Amanhã, o payroll de março nos Estados Unidos dará pistas sobre a atividade americana, com efeitos potenciais para próximos passos do Federal Reserve (Fed).

Por volta das 16h50 (de Brasília), o dólar subia a 159,61 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1538 e a libra tinha baixa a US$ 1,3223. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,43%, a 100,028 pontos.

Na visão do Société Générale, a primeira impressão é que a reação do mercado cambial é modesta em comparação com a reação do mercado de títulos, e os pequenos ajustes nas previsões consensuais de crescimento refletem expectativas de que o conflito será de curta duração ou um grau de incerteza que torna os economistas relutantes em se comprometer com uma nova previsão.

“Nossa mesa de operações descreve o mercado como nervoso, e não em pânico, o que parece uma boa descrição, o que também implica uma relutância em negociar, o que não é surpreendente, depois que o clima de apetite ao risco de ontem foi abalado pelos comentários do presidente Donald Trump durante a noite”, avalia.

“O fato de o dólar ter sido a moeda principal mais forte durante esse período não é surpresa, dados os benefícios nos termos de troca que advêm de ser um grande produtor de petróleo e o status de porto seguro”, aponta o banco.

A resiliência da libra e do iene reflete o nível de preço enfraquecido desde o começo da guerra e, no caso da moeda japonesa, e posicionamento pessimista antes da crise. De forma geral, um mercado nervoso ainda espera coletivamente que a crise seja relativamente curta, mesmo que já tenha durado mais do que o previsto, e que tenha um impacto econômico temporário, e não de longo prazo, sobre o crescimento. Espera-se um aperto monetário, mas apenas temporário”, conclui o Société Générale. Hoje, em seu boletim, o Banco Central Europeu (BCE) afirmou que a crise fará com que a inflação ultrapasse os 2% no curto prazo na zona do euro. Em particular, previu que a inflação aumente acentuadamente para 3,1% no segundo trimestre de 2026.