O dólar operou em queda nesta sexta-feira, 23, ante a maioria das moedas, em um cenário com as perspectivas para o Federal Reserve (Fed) no radar. Como principal movimentação, o iene avançou fortemente, em um período marcado pela volatilidade dos ativos japoneses e especulações de intervenção.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar avançava a 155,80 ienes, enquanto o euro subia a US$ 1,1822 e a libra tinha alta a US$ 1,3631. O índice DXY fechou em queda de 0,77%, a 97,599 pontos, em seu pior desempenho semanal desde junho de 2025, segundo a Dow Jones Newswires.

É amplamente esperado que o banco central americano mantenha as taxas de juros na reunião da próxima semana, no entanto, com a aproximação do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anunciar o sucessor de Jerome Powell no comando do Fed, o tema ganha maior destaque. O diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, ganhou o favoritismo entre os apostadores para o cargo.

O Rabobank nota que o mercado de câmbio não refletiu o mesmo alívio do mercado acionário com o recuo de Trump sobre as ameaças quanto à Groenlândia, e vê a imprevisibilidade do republicano pressionando a moeda americana.

Quanto ao iene, embora a reunião mais recente do Banco do Japão (BoJ, em inglês) tenha sido “relativamente pouco movimentada”, o tema do mercado de títulos públicos japoneses (JGBs) deve voltar ao centro das atenções nas próximas semanas, sobretudo com a aproximação das eleições, diz a Capital Economics. A volatilidade observada no iene durante a coletiva do presidente do BoJ, Kazuo Ueda, pode ser apenas um sinal do que está por vir caso ocorra um novo “grande sell-off” nos JGBs, aponta.

Em meio a especulações de intervenção do BoJ, a moeda japonesa acelerou valorização contra o dólar nesta tarde e alcançou maior nível dede 30 de dezembro, cotada a 155,60 por dólar. Par asiático, o won sul-coreano também subiu ao maior nível em quase três semanas, com o dólar em queda de 1,27%, a 1.445,69 wons, em semana também marcada por promessa de suporte do governo da Coreia do Sul.

Entre outros pares desenvolvidos, a libra subiu ao maior nível contra o dólar desde setembro, a US$ 1,3643, após o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, nomear seu principal conselheiro financeiro como novo enviado especial aos EUA e ante ponderações sobre rumo do Banco da Inglaterra (BoE, em inglês).