O dólar operou em baixa nesta sexta-feira, 6, em mais uma sessão que teve como destaque a disparada nos preços do petróleo. Por sua vez, diferente do resto da semana, quando a moeda americana ganhou tração com o avanço das cotações da commodity, foi pressionado pelos resultados do payroll de fevereiro, que veio abaixo do esperado e contribuiu com uma visão de um Federal Reserve (Fed) mais brando, com a aposta majoritária de próximo corte de juros voltando para a reunião de junho.

Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,89 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1609 e a libra tinha alta a US$ 1,3387. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,33%, a 98,986 pontos. Na semana, houve avanço de 1,41%.

Na semana, o dólar canadense teve o melhor desempenho entre as moedas do chamado G10 dos bancos centrais, grupo que engloba as economias mais desenvolvidas. A moeda foi a única que se valorizou ante o dólar no período, sendo impulsionada pela alta do petróleo. Em contrapartida, europeias como euro e libra foram as mais pressionadas no G10, seguindo a dependência das importações de energia, que incluem ainda o gás natural. No continente, beneficiada pela exportações de hidrocarbonetos, a coroa norueguesa teve menos pressão e terminou o período caindo apenas 0,45% ante o dólar.

O Brent está sendo negociado 30% acima da previsão média da equipe do Banco Central Europeu (BCE) de US$ 62,5 por barril para 2026, portanto, o BCE terá que reequilibrar os riscos de sua política monetária na reunião de abril, aponta o Société Générale. Na América Latina, o banco crê que uma alta sustentada nos preços do petróleo deve beneficiar o Brasil e a Colômbia por meio de canais fiscais e externos, enquanto o México e o Chile permanecem mais vulneráveis à inflação importada e à compressão da renda real.

O resultado fraco do payroll de fevereiro nos Estados Unidos deve ser interpretado com cautela, na avaliação do ING, que aponta fatores temporários – como clima severo e greves – como importantes distorções nos dados recentes do mercado de trabalho. Para a política monetária, o ING afirma que o aumento dos preços de energia reduz a probabilidade de cortes de juros no curto prazo, mas não altera a perspectiva de flexibilização mais adiante. Assim, o banco revisou suas projeções e agora espera que o Fed inicie o ciclo de cortes apenas no fim do ano, com reduções em setembro e dezembro.