O dólar operou sem direção única em comparação com moedas fortes nesta sexta-feira, 10, com o mercado analisando dados de inflação nos EUA enquanto aguarda os desdobramentos da negociação entre Washington e Teerã.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,17%, a 98,650 pontos. Na semana, o índice teve queda de cerca de 1,40%. Por volta das 16h50 (de Brasília), o dólar avançou a 159,29 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,1732 e a libra subia a US$ 1,3470.

O dólar trocou sinal e passou a cair após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA. No mês de março, o índice registrou alta em linha com o esperado, enquanto o núcleo subiu apenas 0,2%, abaixo das estimativas. Contudo, os preços de energia tiveram a maior variação mensal no país desde setembro de 2005. Para o Convera, a combinação “singular” coloca o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em uma posição “bastante delicada”.

“Os investidores estão aumentando ligeiramente suas apostas em cortes nas taxas de juros pelo banco central ainda este ano. Entretanto, as autoridades estão monitorando atentamente o mercado de trabalho, juntamente com indicadores alternativos de inflação”, apontam os especialistas.

Na mesma linha, os analistas do 21shares afirmam que o Fed vai relutar em subir os juros neste momento, levando em conta que não há uma tendência inflacionária generalizada nos EUA. De acordo com a ferramenta CME Group, as apostas em quando a próxima flexibilização de política monetária deve acontecer permanecem em meados de 2027.

No lado geopolítico, as expectativas aumentam para o resultado das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Ambos os países devem se reunir no Paquistão durante o fim de semana, em meio a um cessar-fogo fragilizado com comentários de Donald Trump e interrupções no fluxo do Estreito de Ormuz.

Na Europa, o CPI da Alemanha subiu 1,1% em março, e 2,7% anualmente, seguindo expectativas do mercado. Hoje, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, afirmou que a inflação e o crescimento do continente serão afetados pela guerra, mas que o impacto vai depender da evolução do conflito.