Mesmo em um país conhecido mundialmente pelo calor tropical, festas vibrantes e futebol, foi um elemento completamente diferente que chamou atenção em conversas sobre o Brasil nos últimos dias: o destaque dado ao uniforme da delegação brasileira nas Olimpíadas de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, confeccionado pela Moncler.

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O que chamou atenção não foi apenas o design mais frio e menos colorido, mas o fato de a a grife italiana de luxo especializada em roupas de frio e ícone global de moda e performance ter escolhido se vincular ao Brasil nas Olimpíadas, competição a qual a Moncler não estava vinculada há mais de 50 anos.

A companhia não patrocinava um país nos Jogos de Inverno desde 1968, quando a marca forneceu uniformes para a equipe francesa de esqui nos Jogos de Grenoble. Retornar ao cenário olímpico, quase seis décadas depois, representa uma estratégia tanto de marketing quanto de reforço de imagem global para a grife, destacando sua conexão histórica com esportes de neve e performance técnica.

A empresa é patrocinadora oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e patrocinadora técnica da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

Se a escolha da Moncler para vestir o Brasil chamou atenção, parte da explicação está em um atleta: Lucas Pinheiro Braathen.

O esquiador alpino nascido na Noruega, mas com mãe brasileira, já vinha conquistando espaço no circuito internacional antes de vestir o uniforme verde e amarelo. Em 2025, ele alcançou a vice-liderança no slalom gigante da Copa do Mundo e acumulou medalhas importantes, consolidando-se como uma das maiores esperanças brasileiras no esporte de inverno.

Pinheiro Braathen havia se afastado das competições em 2023 por desentendimentos com a federação norueguesa, mas seu retorno – agora representando oficialmente o Brasil – foi um dos enredos esportivos mais comentados das últimas semanas.

A Moncler, além de patrocinadora institucional, é parceira pessoal do atleta há alguns anos, o que ajudou a viabilizar a colaboração.

Uniforme do Brasil reforça estética característica da Moncler

O uniforme que chamou atenção do público – e das redes sociais – não é o típico colorido e festivo que se associa ao Brasil em grandes eventos. Em vez disso, ele reflete tanto a tradição técnica da Moncler quanto um olhar contemporâneo sobre moda e funcionalidade.

A Moncler se inspirou na lendária jaqueta Karakorum, um modelo icônico criado décadas atrás para alpinistas italianos e reconhecido por sua capacidade de isolamento térmico e resistência extrema. Essa peça histórica tem espaço garantido na narrativa visual da grife e serviu de base para o desenvolvimento dos novos uniformes.

Algumas das características visuais mais marcantes incluem:

  • Cores sóbrias e sofisticadas, com predominância de branco e tons neutros que remetem à neve e à paisagem alpina
  • Detalhes da bandeira brasileira inseridos de forma sutil, como no forro interno das capas usadas pelos porta-bandeiras
  • Elementos técnicos de performance, como cortes e materiais pensados para proteção contra temperaturas abaixo de zero, influência direta da experiência da Moncler em roupas de montanha

Esses uniformes, especialmente as peças destinadas à cerimônia de abertura, não estão sendo comercializados ao público em geral, pelo menos por enquanto.

A Moncler vende suas coleções nas lojas próprias em cidades como São Paulo, como nos shoppings JK Iguatemi e Iguatemi Faria Lima, e em marketplaces como a Farfetch.

O papel de Oskar Metsavaht e a colaboração criativa com a Osklen

Um elemento adicional no tema foi a participação do brasileiro Oskar Metsavaht, fundador e diretor criativo da Osklen. A presença de Metsavaht no processo de criação reforça um aspecto cultural e expressivo da coleção, com o dedo de um brasileiro no design nas peças.

A revelação da collab, entretanto, só foi revelada cerca de 12 horas antes de os uniformes do Brasil nos Jogos de Inverno serem expostos ao mundo na abertura da competição.

Metsavaht tem uma trajetória marcada pela fusão entre design, performance e sustentabilidade, além de uma conexão pessoal com esportes de neve, tendo competido como snowboarder no início de sua carreira.

A Moncler de 1952 e a Moncler de hoje

Atualmente a grife é italiana, mas nem sempre foi assim.

Fundada em 1952, em Monestier-de-Clermont, nos alpes franceses, a empresa começou produzindo roupas e equipamentos para ambientes de frio extremo, desde sacos de dormir até casacos técnicos. A associação com esportes de inverno aconteceu de forma natural, e a marca rapidamente ganhou reputação por sua funcionalidade.

Nos anos 1990, a Moncler enfrentou dificuldades financeiras até ser adquirida, em 2003, pelo empresário Remo Ruffini, que transferiu a sede para Milão e reposicionou a marca como um ícone de luxo global. Atualmente listada na bolsa de valores italiana e com faturamento anual superior a 3 bilhões de euros, a empresa é um dos principais nomes do segmento premium de moda e performance.