28/04/2014 - 14:51
O mercado de caminhões pode sofrer mais que o de automóveis este ano. As montadoras estão prevendo queda nas vendas de até 10%, chegando a, no máximo, 140 mil. No ano passado, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializados 154 mil caminhões. “Havia uma grande expectativa em relação ao primeiro trimestre, que não veio. Isso em função das restrições do Finame (financiamento do BNDES)”, disse o vice-presidente comercial da Man Latin America, Ricardo Alouche no V Fórum da indústria automobilística. “Essa perda nas vendas nos primeiros meses não será revertida ao longo do ano. Se chegarmos a um patamar de 140 mil caminhões, já é um grande feito.” Segundo ele, em abril as vendas aumentaram 50%, mas isso são contratos que foram liberados com o início da operação simplificada do Finame, que tornou a obtenção do crédito muito mais atrativa para o cliente.
A Ford é a mais otimista entre as montadoras. Para o diretor de caminhões da montadora, Guy Rodriguez, as vendas de caminhões deverão ficar entre 145 mil a 150 mil unidades neste ano. “Sou um otimista por natureza”, disse. “Esse mercado é muito atrelado á economia, então a economia vai crescer e o mercado também. Temos boas perspectivas, principalmente para a Ford”, afirmou o executivo acrescentando que a montadora vai lançar no segundo semestre o caminhão leve e completar um ano de vendas do modelo extrapesado.
Um levantamento da Consultoria Carcon mostra que a produção deverá cair mais de 20% este ano, passando de 187 mil caminhões para 157,5 mil unidades. Já em vendas, a perspectiva da consultoria é que as montadoras instaladas aqui comercializem 140 mil. “Essa redução de 10% nas vendas no início do ano, não estava em nossas estimativas. O grande vilão nesse caso foi justamente a demora da adoção do sistema simplificado do Finame. Mas, abril foi bom para todos”, disse o diretor de vendas de caminhões da Mercedes-Benz, Gilson Mansur. “No ano é que não veremos crescimento. A nossa expectativa é que o mercado fique em torno de 140 mil unidades, menor que em 2013, mas ainda um bom mercado.”
Diante desse cenário, as montadoras estão tomando medidas de ajuste de produção. A Volvo Latin America, que está com estoques na rede e no pátio de em torno de dois meses, vai anunciar medidas esta semana para reduzir a montagem em sua fábrica, localizada em Curitiba (PR). “É um mercado desafiador. Este ano, estamos sentindo muito mais a falta de confiança em relação aos rumos da economia do que a falta de mecanismos para alavancar as vendas”, disse o diretor de vendas de caminhões, Bernardo Fedalto. Para a Man, líder de vendas no mercado brasileiro, que já anunciou a suspensão de trabalho